Sala de Imprensa

Antonio Paes de CarvalhoO Brasil ainda mantém amarras regulatórias e culturais que impedem o desenvolvimento pleno das tecnologias à base da biodiversidade. Quem garante é o presidente da Extracta Moléculas Naturais, Antônio Paes de Carvalho, que não poupou críticas às políticas de patente e regulatórias para as pesquisas e uso da biodiversidade nacional, durante sua apresentação.

Houve um erro na complexidade na regulamentação do uso da biotecnologia brasileira, em nome da defesa da biodiversidade. No Brasil, por exemplo, não se pode pedir patente nesta área”, lamenta Paes de Carvalho.

Antônio Paes de Carvalho não escondeu a preocupação com a trajetória do setor de biotecnologia no Brasil. Para ele, há um temor cultural de que as grandes empresas multinacionais poderiam se apoderar da biodiversidade brasileira.

“É apavorante saber que o forte deste setor no Brasil está na pequena empresa. Na área farmacêutica, por exemplo, a indústria nacional está agindo de forma imediatista. Estão todos maravilhados com os genéricos”, critica Paes de Carvalho, para quem o desenvolvimento de tecnologias com o uso da biodiversidade brasileira está praticamente estagnado, ao contrário do que ocorria há 30 anos.

Antônio Paes de Carvalho lamentou ainda o quase “esquecimento” que se encontra o projeto e complexo de pesquisas Bio-Rio, no campus da UFRJ, na Ilha do Fundão e aponta como caminho para um melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira a criação de um banco de espécies, que poderia ser usado em pesquisas voltadas para atender, por exemplo, os setores de petróleo (biocorrosão) e agropecuária.

Para Paes de Carvalho, enquanto os próprios órgãos governamentais dificultam o avanço tecnológico a partir da biodiversidade brasileira, a Amazônia permanece sendo esquecida ou má utilizada em outros fins.