Sala de Imprensa

Laurentino Gomes

Olhar para o passado a fim de compreender o futuro. Essa foi a ideia básica da palestra “Brasil: Dois séculos de Independência (Uma Interpretação)”, ministrada pelo professor Laurentino Gomes, da Universidade da Pensilvânia  e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Autor dos livros “1808” e “1822” e preparando a próxima obra, “1889”, Laurentino sustenta que essas três datas são fundamentais para a compreensão do Brasil atual.

O ano de 1808 foi marcante devido à transformação profunda da sociedade brasileira provocada pela chegada da Corte Portuguesa ao País. “Na verdade o que D. João fez foi replicar Portugal no Brasil, transferindo as instituições portuguesas aqui para os trópicos”, comentou Gomes, acrescentando que foi neste período que começou o grande regime de “toma lá, dá cá”, que perdura até hoje.

A segunda data-chave para a compreensão do País é 1822, com a Independência do Brasil. “Apesar do grito do Ipiranga, a realidade em termos estruturais ainda era muito semelhante à de 1808”, frisou o professor, citando a persistência do isolamento e da rivalidade regionais, o analfabetismo e pobreza generalizados, escravidão como uma “bomba social”, e a existência de uma elite dividida por divergências políticas. Uma “agenda nacional” foi então criada por José Bonifácio de Andrada e Silva (e até previa o fim da escravidão), mas não foi posta em prática em sua plenitude.

Por fim, a mudança de sistema político ocorrida em 1889, com a Proclamação da República, marcou, no fundo, a criação de uma república de prática monárquica, ditatorial, sem participação popular. “Nosso País sempre foi construído de cima para baixo”, ressaltou o professor. “Mas agora vivemos um momento histórico em que o cidadão é chamado a participar da reconstrução das instituições, e devemos aproveitar essa chance para o bem de todos”, finalizou Gomes.