Sala de Imprensa

Claudio de Moura CastroTransformar a educação exige mais do que sacrifícios: requer esforço político. Foi o que afirmou o professor Claudio de Moura Castro, presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras. “Em um País que tem a competência técnica para ser um grande exportador de aviões, as dificuldades práticas de consertar as escolas não são os principais obstáculos. Se nada acontece, é em virtude de uma equação política equivocada”. Na avaliação de Moura Castro, é no palco da política que se ganhará esta guerra.

O professor ressaltou que dezenas de modelos econométricos foram testados, associando o nível de escolaridade do País com o seu crescimento. E os resultados são bastante consistentes: maiores investimentos em educação correspondem a mais crescimento da economia, ou maior renda per capita, dependendo de como se define o modelo. Outra linha muito explorada são os estudos a partir de perfis de idade-renda, para cada nível educativo. Do mesmo modo, mais escolaridade gera um diferencial de rendimento substancial para o seu detentor.

As críticas de Castro recaem sobre a máquina administrativa. “Que é muito fraquinha, em todos os três níveis. As carreiras de magistério premiam tudo, menos desempenho”, comentou. Os desperdícios de recursos também foram destacados como pontos negativos. Do tempo planejado para o ensino e aprendizado, pesquisas mostram que cerca da metade é perdida em faltas, atrasos, usos não educativos e outros vazamentos.

Países que gastam com educação o mesmo que o Brasil (como a Coreia do Sul) obtêm resultados muito superiores. “Até mesmo países que gastam menos, como Uruguai, estão à nossa frente”, destacou. “O dinheiro vai para o ralo e não para a sala de aula, sobretudo nos municípios atrasados, a politicagem ainda é endêmica e a educação é uma alavanca para as eleições de prefeitos”, criticou Moura Castro. Diretores nomeados por critérios políticos e professores desestimulados que sequer se interessam em dar uma boa aula também foram pontos sensíveis realçados na palestra. A falta de um currículo oficial para todas as séries e disciplinas, incluindo apenas o mínimo que deverá ser aprendido, é outro problema que pode e deve ser solucionado.

O professor acredita que o empresariado e a imprensa sejam os atores mais críticos para melhorar a qualidade da educação no país. “É preciso mostrar aos empresários que só eles têm a alavancagem política para criar uma crise na nossa educação”, afirmou, mencionando que alunos e pais estão contentes com o que existe, assim como políticos e a máquina educativa se conformam docemente com uma educação de péssima qualidade. “Diante dessas constatações, somos obrigados a concluir que a crise está apenas na cabeça de uns poucos”, ironizou.