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Ary Oswaldo Mattos FilhoO economista e membro do conselho diretor do Ibmec, Ary Oswaldo Mattos Filho, garantiu nesta quarta-feira 18, no Rio, que o mercado de capitais brasileiro não existe para o pequeno investidor, nem para as pequenas, médias e muitas grandes empresas, que fecharam o seu capital.

“O mercado de valores mobiliários brasileiros se distorceu e não funciona nem para a média nem para a grande empresa. A maior parte das emissões de renda fixa fica em carteira de bancos. Pessoas físicas são apenas 7,8% dos negócios com ações.

“Se tirarmos o institucional brasileiro e o institucional externo, nós não temos mercado. O volume da saída de empresas da bolsa é maior do que o de a entrada, nos últimos tempos 60 empresas saíram”, lamentou Mattos Filho, para quem o mercado só aceita grandes emissões, distribuídas por grandes distribuidoras e não permite o nascimento de uma nova Apple, por exemplo. “É um mercado para os grandes. O pequeno não entra porque não encontra canal de distribuição”, resumiu.

Oswaldo Mattos Filho lembrou ainda que as grandes empresas começam a deixar o próprio mercado de capitais brasileiro em xeque, pois migram para as ADRs, garantindo a captação de juros mais baratos no mercado externo, o que gera a criação de empresas que consigam um lucro, por exemplo, de US$ 136 milhões, deixando apenas US$ 30 milhões no Brasil.

O presidente do Fórum Nacional, João Paulo dos Reis Velloso, desafiou aos participantes do debate sobre mercado de capitais apresentarem na próxima edição do evento em 2017, sugestões e propostas efetivas para a recuperação para o mercado de capitais brasileiro, tornando-o chave para a retomada do crescimento sustentável. “Não é do perfil do Fórum Nacional apenas apontar os problemas, mas sim apontar soluções”, concluiu Velloso.