Sala de Imprensa

Guillermo Perry

O Brasil se tornou o maior exportador agrícola do mundo. Com o crescimento de outros países como China e Índia, que precisam de alimentos e produtos intermediários agrícolas, como a soja, a demanda para esses produtos está em franco crescimento, o que pressiona os preços e beneficia o Brasil, como está acontecendo agora, induzindo, ainda, a um aumento na área plantada e na produtividade agrícola.

A avaliação é do professor da Universidade de Los Andes, Guillermo Perry, também convidado especial da sessão de abertura.

Perry, que já atuou como economista-chefe para a América Latina e Caribe do Banco Mundial, destacou que, no caso da soja, graças à descoberta de novas variedades, a produção pode ser levada para a região do Cerrado, o que aumentou muito a área cultivável do País. “Este é um ativo importante do Brasil, o desenvolvimento e a pesquisa agrícola garantiram esse lugar de destaque”, disse Perry, para quem outro ativo importante do Brasil é a descoberta e a exploração de petróleo do pré-sal.

“E isso se deve ao gênio brasileiro. Se o Brasil desenvolver realmente essas descobertas, será o terceiro ou o quarto maior exportador de petróleo do mundo. Será um grande desafio financeiro e tecnológico, mas é possível”, destacou ele, que é ex-ministro das Finanças e de Minas e Energia da Colômbia.

Guillermo Perry lembrou que o pré-sal é uma grande conquista para um País que há poucas décadas teve que desenvolver o programa do álcool, por acreditar que seria um eterno importador de petróleo.

Outro importante ativo brasileiro que poderá levar o País ao grau de desenvolvimento entre as potências econômicas mundiais é a biodiversidade, que, de acordo com Perry, é o ativo do futuro. “A biodiversidade, no entanto, ainda não tem o valor que deveria ter. Eu não tenho dúvidas de que o valor dessa biodiversidade será muito valorizado e se o Brasil for sábio o suficiente para proteger essa biodiversidade e utilizá-la de forma produtiva, em duas ou três décadas vamos testemunhar um novo milagre brasileiro”, garantiu.

Para o professor, Brasil, China, Índia e Rússia, que formam os BRICs, têm este potencial importante para o mundo e por isso chamam tanto a atenção neste momento. “Há uma projeção de que o Brasil será a quarta ou a quinta economia do mundo, junto com os Estados Unidos, China e Índia, competindo com o Japão”.

O professor da Universidade de Los Andes enfatiza também o fato de a classe média brasileira ter saltado de 20 milhões de pessoas para 60 milhões, em 18 anos, o que gera uma forte expectativa para o País. Segundo ele, o conjunto desses ativos pode estimular o crescimento da indústria e dos serviços, incluindo agroindústria, mineração, automóveis, aviões, tecnologias de informação e de comunicações, infraestrutura, saúde, educação e entretenimento (as “indústrias criativas”).

A forte expectativa para o desenvolvimento brasileiro, no entanto, ainda esbarra em velhos e conhecidos desafios. “Um grande desafio para o Brasil, no entanto, ainda são as baixas taxas de poupança interna e de investimentos, se comparadas a outros países da América Latina.  Isso se deve muito ao tamanho do Estado brasileiro, que é muito grande, sem contrapartida nos investimentos de infraestrutura, bem como em educação e outros pontos importantes. O tamanho do Estado também se reflete na alta carga de impostos ao setor”, adverte.

Preocupado com o ritmo das reformas para a redução do “Custo Brasil”, Guillermo Perry adverte: “A pergunta que fica é se o Brasil caminhará para a rota da Noruega, que teve avanços importantes, ou da Venezuela. Se decidir pela Noruega vai economizar muito dinheiro”, alertou, lembrando que o Brasil precisa aumentar investimentos em infraestrutura de forma eficiente. E que essa é uma agenda muito importante. “Se fizer isso vai ser um grande potência mundial. Se não fizer, continuará sendo o País com oportunidades, mas ainda o País do futuro”, finalizou.