Sala de Imprensa

João Paulo dos Reis Velloso

A apresentação de abertura do fundador do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), João Paulo dos Reis Velloso, durante o XXV Fórum Nacional, deixou claro que o País precisa transformar o momento de crise em oportunidade, executando um novo ajuste estrutural para entrar na rota do Brasil desenvolvido. Sob o tema “Manifesto por um Brasil Desenvolvido”, Reis Velloso explicou em sua palestra os cinco impulsos necessários para a retomada do rumo certo.

O primeiro impulso seria o desenvolvimento humano. “É preciso transformar a educação, para que a educação transforme o desenvolvimento brasileiro”, comentou. Ele defendeu a universalização de uma educação de qualidade, interagindo com a tecnologia, e citou pontos vulneráveis do sistema de ensino brasileiro, tais como o grande hiato social entre as metrópoles e o campo, a administração politizada das escolas, que não presta contas, propondo a criação de um novo modelo financeiro para as universidades públicas federais.

A economia do conhecimento seria o mote do segundo grande impulso, que exige investimento em ativos intangíveis como educação superior, logística e tecnologias de informação e de comunicações (TICs). “O conhecimento tem de ser encarado como a mais importante arma competitiva da empresa, o recurso sem limite a ser levado a todos os segmentos da economia”, frisou o Ministro.

O acesso do País à terceira revolução industrial (a revolução digital, biotecnológica e nanotecnológica) seria o terceiro impulso necessário rumo ao desenvolvimento pleno. Nesse sentido, há de se criar planos de desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicações, de desenvolvimento de biotecnologia (tendo como base a imensa biodiversidade brasileira).Defende, ainda, uma nova inserção internacional do país e uma estratégia permanente de desenvolvimento das exportações.

O quarto impulso tem como base a inovação, que é a chave para o desenvolvimento moderno. “A inovação não é uma das estratégias da empresa. Na empresa moderna, todos os setores estão voltados para que a inovação aconteça”, enfatizou. O professor citou a frase de Nolan Bushnell, criador do videogame Atari e mentor de Steve Jobs, que dizia: “Muitos executivos temem arriscar. Perigoso é não arriscar, pois a falta de inovação leva ao declínio da empresa”.

Assim, surge um desafio: transformar a pequena empresa inovadora na “arma secreta” do Brasil, a partir da universalização da inovação em toda a cadeia produtiva, com a formação de clusters e parques tecnológicos. Reis Velloso citou o exemplo de diversas Economias da Inovação (polos, regiões), como o Vale do Silício (na Califórnia), Sophia Antipolis (na França) e Munique (na Alemanha) e propôs que o Brasil as tenha como meta a fim de integrar regiões e criar riquezas.

Enfim o quinto e definitivo impulso se dá por meio da mobilização nacional pela competitividade, principalmente na área industrial. Corredores de exportação, voltados para o comércio exterior, e corredores de transportes, para os mercados nacionais, são fundamentais nesse esforço. “Parece que enfim o Brasil acordou para isso”, comentou o Ministro.

Além dos aprimoramentos no setor de transporte, com ampla disseminação nas concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos: também se faz necessária uma estratégia nacional de acesso ao mercado de capitais por empresas abertas e fechadas, grandes e pequenas, mediante colocação de ações ou títulos de dívida. “O mercado de capitais deve passar a ser um amplo e poderoso caminho para o financiamento das empresas, e o IBMEC tem propostas concretas para isso”, enfatizou Reis Velloso.

“Se soubermos realizar esses grandes impulsos, estaremos superando o drama brasileiro, que é ter oportunidades e não saber aproveitá-las”, concluiu o presidente do Fórum Nacional.