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João Carlos De LucaO setor de petróleo e gás ainda se apresenta como um importante vetor de desenvolvimento para a economia brasileira na década, seja pelas suas características, seja pelo potencial e dinamismo. Essa é a conclusão apresentada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustível (IBP), João Carlos de Luca, na abertura do terceiro dia de debates do XXV Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Pelos cálculos do executivo, dentro de poucos anos 10% de toda a formação bruta de capital fixo na indústria brasileira virá exclusivamente do segmento de exploração e produção (E&P), apenas uma etapa da cadeia de valor do setor de petróleo e gás. Entre 2013 e 2016, serão investidos no setor de petróleo 11% de todos os investimentos no País. “Com o advento das explorações da área de pré-sal, o impacto positivo será ainda maior”, previu de Luca.

O aprendizado tecnológico desenvolvido ao longo dos anos pelo País será um importante catalisador e impulsionador dessa nova fase da indústria petrolífera. Atualmente, a Petrobras é a líder mundial em tecnologia offshore e, não à toa, diversas empresas internacionais optaram por instalar centros de tecnologias no Brasil, nas proximidades do CENPES (na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro). “Além de possibilitar o desenvolvimento do pré-sal, este aprendizado tecnológico poderá ser exportado para outras fronteiras petrolíferas do mundo”, ressaltou.

Um ponto de desalinho entre os interesses do governo e da indústria foi destacado pelo executivo. “Não considero interessante que a Petrobras seja o operador único do pré-sal”, pontuou, acrescentando que isso pode pôr em risco tanto a exploração das novas áreas quanto a saúde da própria empresa petroleira, que tem uma capacidade física e de recursos humanos limitada, apesar da elevada quantia de investimentos prevista para os próximos anos. “Seria importante rever esse ponto e aceitar que outras empresas assumam alguns blocos do pré-sal”, insistiu.

Portanto, o pleno desenvolvimento do potencial do pré-sal ainda depende de políticas públicas que viabilizem e estimulem esse processo, como estabilidade das regras, a continuidade das rodadas de licitação, a isonomia de tratamento e o incentivo à pluralidade de investidores. “O momento da virada do Brasil é agora”, finalizou.