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O Brasil e a nova (desordem?) mundial. J. Olympio, Rio de Janeiro, 2006 [XVIII Fórum Nacional- 2006].

O Brasil e a nova (desordem?) mundial retoma tema apresentado e analisado em profundidade na obra A nova ordem mundial em questão (José Olympio, 1993), que resultou de importante conferência internacional promovida sobre o assunto pelo Fórum Nacional em 1992.

Decorridos quatorze anos, continua ainda inexistente uma ordem internacional instituída em substituição a que predominou durante a Guerra Fria. E em meio às mesmas assimetrias entre os poderes econômico e político das nações, foi se abrindo espaço para a supremacia do capitalismo globalizado e para a consolidação de uma única superpotência militar, os Estados Unidos da América. Superpotência esta antes moderada e benevolente, praticante do soft power; agora radical e maniqueísta (opondo rigidamente o Bem ao Mal), fazendo uso quase pleno de seu hard power.

O mundo tornou-se mais desarrumado e perigoso: no elevar-se por toda parte a temperatura das tensões étnicas e sociais; no progredir do terrorismo, secular ou religioso; no avançar do crime organizado e do tráfico de drogas e armas. E não é – nem se sabe quando ou se algum dia será – um mundo sem guerras.

Este é o quadro de referência para os ensaios publicados neste livro. Trata-se de estimulantes e provocativas análises, de natureza político-institucional e econômico social, do mundo em que vivemos, bem como da inserção, nele, do Brasil.

Luciano Martins e Sergio Paulo Rouanet examinam esse mundo em mudança, suas novas características, seu direcionamento, o declínio do político manifestando-se seja pela tendência de tratar seus problemas como meramente técnico administrativos, seja pelo retorno da religião em sua variante fundamentalista, negação radical à democracia. Albert Fishlow mostra os êxitos e desafios atuais da economia norte-americana e sua importância na sustentação do progresso mundial. Leslie Bethell analisa a União Européia em sua marcha de expansão. Lenina Pomeranz vê a Rússia tentando recompor seu papel no cenário mundial, tendo como armas o petróleo e o gás. Wang Hui e Amaury Porto de Oliveira traçam perfil de corpo inteiro das transformações por que passa a China, em via de tornar-se potência global.

Olhando mais de perto para o Brasil, Marcos Azambuja, Sergio Amaral e Regis Arslanian tratam dos processos de integração das Américas, do novo momento da inserção internacional do país e das negociações comerciais bilaterais e multilaterais que constituem agenda de hoje da diplomacia nacional.

Na introdução, João Paulo dos Reis Velloso apresenta a síntese e as conclusões do Fórum Internacional (integrado por dois painéis do XVIII Fórum Nacional, 2006) de que este livro é o resultado.

R.C.A

Sumário

Introdução

O Brasil e a nova ordem (desordem?) mundial: síntese e conclusões
João Paulo dos Reis Velloso

Primeira Parte – A nova ordem (desordem?) Mundial

Um mundo em mudança – mas em que direção?
Luciano Martins

Comentários a “Um mundo em mudança – mas em que direção?”
Sergio Paulo Rouanet

A economia dos Estados Unidos e a cooperação internacional
Albert Fishlow

A Europa dos 25 e os negócios internacionais
Leslie Bethell

A Rússia no cenário mundial
Lenina Pomeranz

China: exemplo ou exceção de reforma neoliberal?
Wang Hui

A China e a sociedade do conhecimento: comentário
Amaury Porto de Oliveira

Segunda Parte – O Brasil: blocos regionais e inserção global

Os processos de integração nas Américas
Marcos Azambuja

Novo momento de inserção internacional do Brasil?
Sergio Amaral

As negociações comerciais do Brasil e do Mercosul
Regis Arslanian