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João Paulo dos Reis VellosoOs protestos que tomaram as ruas das principais metrópoles do País desde junho e que sacudiram as principais instituições políticas brasileiras, principalmente o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, como símbolos dos poderes legislativo e executivo nacional, deixam um importante alerta. É no que acredita o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, presidente do Fórum Nacional.

Para ele, é preciso ouvir, compreender e atender a voz das ruas, mas nada pode substituir as instituições. “O povo vai à rua, mas a rua não pode substituir as instituições, que têm que funcionar bem”, defende Reis Velloso, acrescentando que há uma crescente perda de credibilidade nas representações políticas nacionais.

“Trata-se realmente de fenômeno novo no País, movimento que guarda semelhança aos indignados da Espanha. São grandes massas protestando, sob a cobertura da Mídia Ninja. Tanto quanto se pode ver, essa frequente ida das massas às ruas se explica pela percepção da falta de representatividade das lideranças políticas, principalmente nos partidos, no Congresso, no governo”, alerta Reis Velloso.

O ex-ministro destaca o entendimento por parte da sociedade da falta de solução dos problemas das grandes cidades e metrópoles, destacando-se a mobilidade urbana e as questões relacionadas à educação, saúde e saneamento. “A revolta diante da inoperância dos líderes resulta em terremoto – ou Tsunami. E, não raro, no vandalismo”, lamenta o ministro.

Para João Paulo dos Reis Velloso, o Brasil está diante de três explosões. De um lado está a explosão, principalmente a partir dos anos 60, do fenômeno da urbanização, transformando um País eminentemente agrícola em País urbano. “Temos hoje uma população de cerca de 200 milhões, sendo 85% em áreas urbanas”.

Em uma segunda efervescência, aponta Velloso, o povo brasileiro aprendeu a manifestar-se, convocado principalmente pelas redes sociais. Um fenômeno ainda não bem interpretado.

Há ainda a explosão dos gastos públicos, que resultou na elevação da carga tributária para a ordem de 37% do PIB, o que supera até o nível dos Estados Unidos e do Japão. “São gastos feitos principalmente em custeio, pois o investimento não chega a 6%. Mais de 94% são gastos correntes, para manter os 39 ministérios existentes. Com isso, as áreas sociais não são adequadamente atendidas”, justifica João Paulo dos Reis Velloso.

Para o economista, o Brasil precisa urgentemente de uma ampla reforma política, e de avanços na educação de qualidade e universalizada, que interaja com o desenvolvimento tecnológico, aliado a um novo modelo financeiro para as universidades públicas, permitindo interação com as empresas privadas e os centros de pesquisa, nos moldes já adotados na Universidade de São Paulo. E, por fim, ele destaca a necessidade de universalização dos serviços de saúde e do saneamento.