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Sonia RochaEm pouco mais de quatro décadas, a pobreza despencou no Brasil. Foi o que comprovou o estudo da economista Sonia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS). A proporção de pobres na população caiu de 68,3% em 1970 para 10,1% em 2011, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE. “A redução da desigualdade foi fundamental nesse processo de diminuição da pobreza”, disse Sonia.

O número de pobres no País passou de 61,137 milhões para 18,724 milhões – ou seja, são 42,413 milhões a menos de pessoas vivendo na pobreza. Os mais de 40 anos compreendidos no período da pesquisa foram divididos em quatro períodos: 1970-1980, 1980-1993, 1993-2003 e 2003-2011. Aspectos comuns que interligam todos esses anos são a redução da pobreza rural e a melhoria sustentada das condições de vida de pobres e não pobres (tanto de renda quanto de oferta de serviços públicos).

A análise entre as regiões mostra que a situação da pobreza tornou-se mais presente no Sudeste e no Norte, enquanto as demais áreas conseguiram avanços. O Sudeste tinha 30,5% dos pobres do Brasil, com fatia de 44,5% da população em 1981. Estes números evoluíram para 33,7% e 42,2%, respectivamente, em 2011. A fatia dos pobres no Norte subiu de 3,8% do total do País, em 1981, para 16,1%, duas décadas depois. “O empobrecimento urbano das três grandes metrópoles do Sudeste mexeu com os números da região”, explicou a pesquisadora.

Ao longo do período compreendido no estudo, o Brasil se “desruralizou”, modernizou e enriqueceu. Pobreza absoluta (entendida como não satisfação de necessidades básicas por falta de meios) ainda existe, mas com frequência e características bastante diversas daquelas do início dos anos 70, de acordo com Sonia. “O Brasil é hoje um País diverso em um mundo que também se modificou”, afirmou.

Sonia acredita que o investimento em educação deve ser, de agora em diante, a principal ação necessária para um salto maior na redução da pobreza. “Precisamos garantir que as crianças tenham acesso à educação de qualidade, independentemente de onde venham”, defendeu Sonia.