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“O Brasil é o quinto país com mais necessidades de investimentos de infraestrutura no mundo, segundo dados publicados, ontem , pela Global Infrastructure, com demanda de investimento de R$ 2,9 trilhões. Eu concordo com os valores, mas discordo da posição, pois para mim o Brasil está em primeiro lugar entre os países que mais precisam de investimento em infraestrutura no mundo”.

Raul VellosoA declaração, feita há pouco, é do presidente do Fórum Nacional, economista Raul Velloso, durante a sessão de abertura do segundo dia da XXX edição do Fórum, no Rio de Janeiro.

Os dados e argumentos apresentados por Velloso foram ampliados pelo professor Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral (FDC), para quem a queda do investimento ao longo dos anos gerou um passivo de difícil solução para o Brasil.

 

Paulo Resende“Temos que pensar em longo prazo, pois não temos a menor condição de fazer isso [resolver o passivo] no curto prazo, é impossível. E essa questão tem que estar conectada à agenda eleitoral. Nós perdemos a oportunidade de termos uma infraestrutura decente”, lamentou Resende.

“Nossa matriz de transportes é rodoviarista. Então não podemos de uma vez virar a roda para outro modal. Mas, ninguém comenta sobre a deterioração do que existe. Construir o novo sobre o que está deteriorando é um erro”, afirmou Resende ao alertar para a falta de manutenção dessa estrutura rodoviária existente. Para o engenheiro da FDC, os custos de logística brasileiro superam os dos 20 maiores países do mundo.

“Essa infraestrutura deteriorada provoca um consistente avanço do custo logístico para as empresas. Em 2017 ele chegou a mais de 12% das receitas, mesmo sem aumento no faturamento e em tempos de crise”, disse Resende, apresentando dados segundo os quais os custos de logística sobre o faturamento bruto das empresas que embarcam grãos e outros produtos saltaram de 11,52% em 2014 para 12,3% em 2017. Ainda segundo Resende, o item mais caro para os outros países é a armazenagem e para o Brasil é o transporte.

“Como não temos capacidade de armazenagem, temos que colocar logo a produção na estrada. Ou seja, um gasto adicional de R$15,5 bilhões por parte das empresas. Dinheiro que poderia estar voltado ao investimento e não sendo rasgado. Jogado fora”, lamentou.

Resende disse ainda que o custo logístico em setores-chave para a economia brasileira, como agronegócio, passa de 20% (no caso, 20,7%), bem acima da média de 12%. Para a construção, é de 18%, e para o setor de papel e celulose, de 21,7%.

“Dados de 2015 mostram que o Brasil vive um movimento de maior volume em forma de arco de densidade de carga na direção das fronteiras agrícolas. Os grandes fluxos continuam sendo no sentido litorâneo. O que é errado, pois as zonas que mais produzem têm um vazio de investimento. Esse vazio ferroviário brasileiro corresponde à metade da Europa e metade dos Estados Unidos”, finalizou.