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Raul VellosoO economista e consultor Raul Velloso criticou os modelos de outorga e concessão de serviços públicos adotados pelo governo, desde 2003, além de alertar para uma previsível explosão da conta de pagamentos do País, se não forem implantadas as reformas propostas por especialistas.

Raul Velloso participou do segundo dia do XXVI Fórum Nacional, na Caixa Cultural, no Centro do Rio, quando fez alguns alertas: “A eleição está aí e quando tem eleição ninguém faz nada para arrumar a casa”, lamentou, ao apontar a estagnação da taxa de crescimento provocada por equívocos na política econômica do governo, além da modicidade tarifária sem correspondência com os custos como exemplos a serem urgentemente corrigidos.

“Os preços artificialmente baixos estimulam o consumo e afastam o investimento”, criticou o economista, citando a política de tarifas do setor elétrico que, em sua opinião, aumenta o custo nos momentos de forte demanda e redução da oferta por causa do baixo índice de chuva, elevando de R$ 100 para R$ 800 o valor da tarifa horária paga pela energia elétrica.

“A hidrologia fortemente desfavorável escancara os problemas. O governo não quer repassar custos para não perder votos, faz contas estranhas e vai levando, só que um dia a conta terá que ser paga”, alerta Velloso.

Ele também apontou falhas no modelo de concessão de serviços públicos, como as rodovias, que, em sua opinião, garantem transporte sob alto nível de estresse e sob a fórmula do “barato que sai caro”.

“Na segunda etapa das concessões, sem pré-qualificação, o outorgado deixou de entregar o prometido, não houve investimentos”, lamentou, acrescentando: “Na terceira fase, sem plano de negócios, populismo tarifário e com contratos vagos, vieram os negócios insustentáveis, com alto risco regulatório, que impede a sua expansão”, alertou, ironizando com o que chamou de contabilidade criativa: “Quebrar o termômetro não diminui a febre”.