Sala de Imprensa
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Marconi PerilloO Governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), apresentou um cenário desanimador sobre a gestão do seu próprio estado, com vistas aos rombos provocados pelo gasto com a Previdência, que saltou de pouco mais de R$ 400 milhões em 2007, para mais de R$ 2 bilhões este ano.

Na opinião de Perillo, não há mais margem para que os estados voltem a investir em saúde, educação e infraestrutura, em função do crescente déficit fiscal gerado, entre outros fatores, pela Previdência Pública.
“Eu vou sair daqui a seis meses do governo e não vou conseguir ver esse futuro (reforma da Previdência)”, lamentou Perillo, para quem muitas vezes os governadores são acusados de incompetência, omissão, ou pouca coragem em tomar decisões. “Acontece que nós não temos mais o que fazer do ponto de vista do teto de gastos e corte de despesas”, garantiu.

“Se não tivermos uma reforma da Previdência que resolva, pelo menos, a questão da idade, os estados irão à falência”, alertou Marconi Perillo, que enfatizou ainda os problemas enfrentados por todos os estados brasileiros provocados pela queda na arrecadação.

“Coragem, criatividade e disciplina tem que ser o lema dos governos. Mas isso já não está funcionando mais. Precisamos da Reforma da Previdência ou vamos todos falir”, enfatizou, acrescentando que não haverá estado que vá sobreviver. “Não dá mais para aposentar servidores com salários acima de R$ 20 mil, com quarenta e poucos anos de idade”, finalizou Perillo.

Margem reduzida

Raul VellosoO mesmo tema foi abordado pelo presidente do Fórum Nacional, Raul Velloso, que destacou a imensa dificuldade encontrada pelos governadores em todo o País em enfrentar o crescente aumento de gastos, com queda de arrecadação e orçamentos engessados.

“Após muita discussão com secretários de Fazenda dos estados, concluímos que grande parte do orçamento dos estados não tem qualquer controle por parte dos governadores. A margem de manobra da gestão é muito pequena. Em alguns estados, a fatia de donos do orçamento (corporações) está entre 55% a 75%, sem contar inativos e pensionistas. O que sobra é para pagar uma gigantesca conta de inativos e pensionistas, além dos gastos com saúde, educação e investimentos”, disse Velloso, acrescentando que o mesmo problema afeta a União.

“Na União não é nada diferente disso, o que leva ao déficit primário gigantesco. No caso dos governadores, o atraso no pagamento é uma maneira de enfrentar o problema”, lamentou.

Para Raul Velloso, ficou claro que não vai ter mais como equacionar o problema do déficit público sem dar um jeito nestes gastos com inativos e pensionistas. “Os fundos de pensão como Petros estão chamando os seus contribuintes para cobrir esse rombo, o que não tem sido feito pelos estados”, comparou Raul Velloso, reforçando o discurso em defesa de uma reforma urgente da Previdência.

“A postura da União é de fazer muito pouco para ajudar os estados a equacionar este problema. Em geral essa postura tem sido mais ou menos assim: Se virem.”