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Paulo Rabello de CastroNo encerramento do primeiro dia de debates da Sessão Especial do Fórum Nacional, o economista Paulo Rabello de Castro queixou-se da Constituição de 1988, fazendo coro com o ministro Maílson da Nóbrega que mediava o painel. Candidato a vice-presidente da República pelo Podemos, na chapa encabeçada pelo senador Álvaro Dias, o economista reclamou também das “mais de cem emendas” que sucederam a promulgação da Constituição. Para contornar a situação criada, ele propôs um “pacto nacional de governabilidade”, tal qual proposto pela coligação dos partidos PSC e Podemos. Segundo Rabelo de Castro, só assim o novo presidente – seja ele quem for – conseguirá governar. O economista ressalta, no entanto, que não será necessária uma nova Constituinte para isso.

“A chamada PEC dos Gastos, atrelando o teto de gastos à taxa da inflação do ano anterior, é uma aberração”, disse. O teto, na prática, congela os gastos públicos federais. Segundo o candidato a vice-presidente, um ajuste emergencial nos efeitos dessa PEC pode ser feito em 2019, por um governo de coalizão. “É isso que estamos propondo”, destacou. Para Rabello de Castro, a principal causa para o alto déficit nas contas públicas é o elevado custo com juros da dívida pública. “Por isso, o governo precisa investir na resolução do quadro fiscal e promover uma reforma financeira”, disse. Por fim, o palestrante propôs a mudança do eixo fiscal do país: “O modelo de frouxidão fiscal e excesso de gastos tem de ser abolido”, comentou.

Ex-presidente do BNDES no atual governo, Rabello de Castro sugere também um novo rumo para o próprio banco, que, no seu entendimento, deveria abrir mais espaço a pequenas e médias empresas, fomentando os empreendedores mais promissores. “O desenvolvimento verdadeiro passa tanto pelas grandes empresas quanto pelas de menor porte financeiro”, afirmou.