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Bernardo FigueiredoA primeira manhã de debates da Sessão Especial do Fórum Nacional foi encerrada pelo economista e consultor Bernardo Figueiredo que criticou a qualidade dos projetos das grandes obras públicas executadas nos últimos anos. Idealizador do primeiro plano de concessões da ex-presidente Dilma Rousseff e também ex-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), o mineiro de Sete Lagoas foi didático: “Não é só ter o dinheiro, é preciso preparar bem a obra”. Na sua avaliação, o Estado precisa ter consciência de que não tem mais condições de “fazer tudo” dentro de uma obra. “Nesse sentido, é necessário repassar as tarefas para a iniciativa privada e centrar os esforços na fiscalização, na cobrança de resultados”.

De acordo com a análise do economista, é preciso usar os ativos disponíveis para gerar recursos. “Não adianta só ficar esperando que haja um espaço fiscal orçamentário e que esse dinheiro venha”. Focando no setor ferroviário, ele exemplificou como um ativo a questão dos contratos de concessão que estão vencendo. “Temos que maximizar o valor que isso gera, temos que pegar esses recursos e reverter para a ferrovia: não podemos pegar os recursos de outorga e colocar no Tesouro”, defendeu, acrescentando que também há muitos ativos imobiliários (imóveis sem uso) das ferrovias, em todo o país, que podem ser usados de forma inteligente para gerar divisas. “Exemplo disso é o Porto Maravilha, do Rio de Janeiro, que pegou uma área absolutamente degradada, gerou valor e trouxe desenvolvimento”, citou Figueiredo.

Ao fim da análise, o consultor ressaltou que é preciso ter consciência da urgência em se fazer obras de infraestrutura no País. “O governo precisa abrir o espaço fiscal para que seja possível, em parceria com a iniciativa privada, alavancar o investimento em infraestrutura, sem nos esquecermos da eficiência”, exortou.