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Ricardo CastanheiraA crise é passageira, é hora de pensar a longo prazo. O ensinamento é de Ricardo Castanheira, diretor Vice-Presidente de Relações Institucionais da CCR, que concedeu palestra no segundo dia de Sessão Especial do Fórum Nacional. “É preciso ter tempo para desenvolver projetos, elaborar um planejamento integrado, mas no Brasil ainda há uma falta de visão de longo prazo”, lamentou, acrescentando que esse é um dos entraves até mesmo para se captar investidores estrangeiros.

Quando vamos investir na concessão de uma estrada, é preciso uma série de cálculos – desde o número de veículos circulantes até o impacto de leis ambientais, sendo a segurança jurídica uma condição sine qua non para fechar negócio. Esse detalhamento, no entanto, não é apresentado na maioria dos contratos. “O investidor sente a insegurança jurídica e se afasta, sobretudo porque o Poder Executivo não faz sua parte, o que leva os órgãos de controle, as agências reguladoras, a ocuparem esse espaço.”

O problema, para Castanheira, é que nem todas as agências estão no mesmo nível, nem seguem os mesmos parâmetros na hora de avaliar dúvidas contratuais. Para uma empresa como a CCR, que investe tanto em estradas quanto em aeroportos, incluindo até metrô, isso gera uma imensa dificuldade. “Peço que o TCU veja o lado não só dos usuários, mas também dos concessionários”, disse, aproveitando a presença na mesa do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União.

Na avaliação do executivo, a insegurança regulatória gerada nos últimos cinco anos enfraqueceu a atratividade das concessões. “Os riscos do setor privado acabam sendo precificados, gerando perda de competitividade e aumentando a tarifa final para o usuário”, concluiu.