Sala de Imprensa

2848-Min Paulo GuedesO ministro da Economia, Paulo Guedes, emocionou-se no segundo dia de debates do 31º Fórum Nacional, na sede do BNDES. Ele comentou a importância na história recente do país do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, criador do Fórum e homenageado durante o evento. “Como economista eu acompanhava o trabalho de João Paulo e nem sempre tínhamos pontos de vista convergentes, mas o respeito pelas ideias era a marca do ministro”, destacou. “Quando estivemos juntos no Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), ele era o que chegava mais cedo e saía mais tarde, por pura doação ao país, pois estatutariamente ele não podia receber salário como presidente”, acrescentou.

Numa breve análise histórica, amarrada em seguida com o projeto do atual governo, Guedes afirmou que o desafio que ora o Brasil enfrenta veio do dilema dos últimos anos. “Os militares construíram uma infra-estrutura e os governos civis trouxeram as classes mais baixas ao orçamento, mas não cortaram privilégios”, disse. Agora, segundo ele, “precisamos de mais Brasil e menos Brasília”, ou seja, de soluções consistentes e institucionais que independam de o interessado correr à capital do país para pleitear os recursos necessários.

E Guedes exortou o BNDES, anfitrião do evento, a exercitar sua excelência em tarefas nas quais ele já provou ser bom, como estímulo à inovação, desestatização e financiar o saneamento básico, saindo do financiamento aos poderosos e “escolhidos”.

“É hora de descentralizar o governo. Se é verdade que em algum momento ‘pedalaram’ o BNDES, é hora de ‘despedalar’ e devolver o dinheiro à nação”, disse, criticando empréstimos do banco ao que chamou de “maior produtor de proteína animal” (referência ao empréstimo do BNDES à Friboi/JBS, na política do governo passado de privilegiar com recursos públicos as empresas mais destacadas, então chamadas de ‘campeões nacionais’). “É hora de apostar no social: o BNDES será o banco nacional de desenvolvimento e saneamento”.

Acelerar privatizações, retomar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e reestruturar as finanças de estados e municípios são as metas do ministro — além, é claro da implantação da Nova Previdência. Guedes se mostrou otimista com o que virá à frente. “O Brasil está aperfeiçoando suas instituições. Mesmo um governo frágil como de Michel Temer tirou a inflação de 11% e desceu para 3%, e ainda conseguiu aprovar uma reforma trabalhista”, resumiu, explicando que agora é preciso dar os passos seguintes rumo ao desenvolvimento econômico.

Na sua avaliação, o Brasil atual é uma aliança de centro-direita, pronta para governar. “Não há ameaça à democracia, isso é bobagem. O adversário atropelou a Lei de Responsabilidade Fiscal e caiu, sofreu impeachment. Isso mostra que as instituições estão funcionando”, disse, lamentando que a Academia ainda use rótulos como centro-esquerda ou centro-direita em vez de se unir em prol de uma saída. “Nós estamos jogando para os nossos filhos a conta que não queremos pagar, mas sei que não estou sozinho e isso me faz otimista”, comentou, em relação à reforma Previdenciária. “Até a própria mídia já aderiu à agenda econômica, e o Congresso também está vindo conosco, apesar das dificuldades”, afirmou.

Se a Previdência é prioridade, a revisão do Pacto Federativo virá em seguida, como um segundo movimento. “É um pauta extraordinariamente positiva: vamos descentralizar, desvincular, desobrigar. É hora de estados e municípios assumirem o protagonismo e pararem de buscar todas as soluções em Brasília”, informou.

A reforma tributária também está no horizonte do governo. “São 50 impostos diferentes, impossível”, criticou. Guedes confirmou também a intenção de acelerar o processo de privatizações. “Temos capital humano fantástico que sabe lidar com isso”. O propósito, ao final das reformas, segundo o ministro, é trazer de volta a esperança às novas gerações.