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Roberto MinczukEm palestra sobre “Música Clássica e Cultura” durante a Sessão Especial do Fórum Nacional, o maestro Roberto Minczuk sugeriu que se pense em “uma espécie de Enem artístico”, que pudesse avaliar os conhecimentos culturais dos estudantes das escolas brasileiras, em contraposição aos conhecimentos apenas técnicos. O maestro mostrou-se preocupado com a constatação de que os melhores colégios brasileiros, em sua avaliação, estarem preparando seus alunos apenas para passar no vestibular, ensinando temas que muitas vezes eles nunca utilizarão nos seus cotidianos.

Para Minczuk, buscando diversificar os conhecimentos das crianças e jovens, começando esse trabalho no ambiente familiar, “estaremos trabalhando por uma geração futura mais abrangente que não vá apenas ficar jogando Pokemon e se concentrando em atividades superficiais”.

O maestro citou na sua palestra uma conversa recente com um taxista que o levou ao Teatro Colón, de Buenos Aires, onde regeu, no dia 2 deste mês, a Filarmônica do Colón. De acordo com o maestro, o taxista quis saber o que ele estava fazendo na capital argentina e ao saber que ele iria reger a Filarmônica, perguntou pelo repertório, demonstrou conhecer as obras que seriam tocadas e disse que o Colón era um grande orgulho nacional. “Como eu gostaria que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro também fosse um grande orgulho nacional!”, disse.

Na opinião de Minczuk, histórico favorável não falta, uma vez que o Brasil é o único país das Américas que tem produção musical erudita desde o século 18, inclusive com competições entre as igrejas de Vila Rica, onde atuavam músicos não apenas brancos, mas também negros e mulatos.