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Luiz Carlos BarretoOs conteúdos criativos da informação, lazer e conhecimento estarão entre as maiores demandas do século 21, no mesmo patamar dos alimentos, das fontes de energia limpa, da água e do petróleo. Foi o que afirmou o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, durante o os debates da Sessão Especial do Fórum Nacional.

Para Barreto, o Brasil está em posição relativamente confortável no que se refere à produção de alimentos, recursos hídricos e energia. “O preocupante é pensar na nossa condição de produtores de conteúdos culturais com vistas ao abastecimento da extensa e moderna rede de difusão da informação, do lazer e do conhecimento que já está montada no Brasil”, comentou.

“Nossa capacidade técnica e artística e nosso saber fazer não estão ainda respaldados por estruturas empresariais sólidas, capitalizadas e capazes de manter um fluxo de produção contínuo”, ponderou, explicando que as políticas de governo ainda pensam muito na produção e pouco no consumo. “Há apoio e incentivos aos produtores, mas quase nada se faz pelos consumidores culturais”.

Barreto lembrou que o País consome, só na área do entretenimento, televisão, cinema, rádio, telefonia e internet, mais de 800 milhões de horas de produtos que preenchem as grades de programação das redes de comunicação de massa hoje instaladas. De acordo com o relatório da Price Waterhouse, a cifra de negócios da Indústria do Entretenimento no Brasil atingiu US$ 23 bilhões até 2010, e até 2014 o montante chegará perto de US$ 60 bilhões.

“Estamos vivendo com intensidade o nosso grande momento de país em desenvolvimento e o ‘boom’ da convergência tecnológica, mas sequer produzimos 5% dos conteúdos veiculados nas grades de programação de TVs, cinemas, rádios, escolas, universidades”, destacou o empresário. Na opinião de Barreto, as culturas nacionais são ativos ainda não contabilizados e que precisam ser transformados em bens de consumo.

“O poder e a força de influência dos países no concerto universal das nações será medido pela sua riqueza cultural e pela capacidade de produzir e difundir sua criatividade”, concluiu Barreto.