Sala de Imprensa

Daniel HerzO produtor e diretor teatral Daniel Hertz fez uma crítica severa ao cenário mundial de culto ao consumismo, ao afirmar que sob a tutela do lucro, não haverá mais teatro, nem arte. “O teatro não vai ter espaço nesse governo chamado mercado”. O teatro vai de encontro à lógica do lucro. Como esse mundo que vive em busca do lucro vai conviver com o teatro”?, questiona.

Herz lamentou o fato de os espetáculos teatrais estarem cada vez mais vazios, enquanto as pessoas se unem em atividades de consumo, como a de “caçar Pokemons”. “Toda vez que a gente trás para uma sala de espetáculos uma pessoa que nunca foi ao teatro, a sensação de maravilha, de uma experiência mágica, que somos um seres que temos noção da nossa finitude, é gritante. Por que não conseguimos trazer as pessoas ao teatro?”, insiste Herz.

Para Daniel Herz a arte é fundamental. E “é a arte”, afirmou, “quem aplaca a angústia humana”.

“Uma sociedade sem arte é uma sociedade sem ar. Vivemos o momento em que tentamos tamponar a angústia com consumo. Assim o mundo vai acabar. Não se resolve a angústia com o consumo”, criticou Herz, convocando os participantes da Sessão Especial do Fórum Nacional a refletirem sobra as razões que levam os governos a construir casas de espetáculos e a financiar a arte, mas sem ter a mesma capacidade de fabricar gente que assista e consuma o teatro e a arte.

“Por que os teatros estão vazios? Cadê o edital para produzir o público?”, continua questionando Herz, para quem a cadeia de produção teatral ou artística sem ter quem a consuma não faz o menor sentido.

Provocado, o presidente do Fórum Nacional, João Paulo dos Reis Velloso, também convidou a todos a uma reflexão: “É preciso ir ao mundo. É preciso mudar a educação. Precisamos encontrar uma fórmula de tornar o teatro acessível como um sorvete de chocolate”, disse Reis Velloso.