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Ricardo Cravo AlbinO jornalista, crítico cultural e presidente da Academia Carioca de Letras, Ricardo Cravo Albin, surpreendeu os participantes da Sessão Especial do Fórum Nacional, nesta quinta-feira 15, ao apresentar o projeto MPB nas Escolas, produzido por ele em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, pelo qual será possível lançar mão de um kit com livretos, CDs, cartazes e DVDs, para se levar a música para a educação básica brasileira, mas não como prática musical, mas sim como história e reconhecimento das raízes brasileiras.

“Levar a música popular para a escola, a partir da história e não da prática musical, permite uma visita aos grandes nomes da música popular do Brasil, em correlação com a poesia, história e geografia, cidadania e afirmação cultural”, defendeu Cravo Albin, para quem a música será também um importante instrumento de afirmação do orgulho racial irrestrito e de combate a qualquer tipo de preconceito.

“Nossa intelectualidade em crise tem a necessidade da inovação curricular. O mundo mudou, a realidade da vida cotidiana ultrapassou as fronteiras e esse pode ser um importante indutor de formação de nossa cidadania”, defendeu.

“A criança precisa ser sensibilizada para o mundo do inesperado, para a surpresa. Darcy Ribeiro, ao observar as crianças indígenas, sublinhou que a música auxilia o desenvolvimento delas com alegria”, justificou Cravo Albin, para quem a história da música também deve ser usada para dar outro ambiente no universo escolar. “A música poderá mudar esse ambiente, desgraçadamente em crise”, defendeu.

“Em cada época, a música esteve presente com a alegria e o prazer do povo. É necessário que o professor se reconheça como proliferador de cultura, para um ensino menos esquálido, menos convencional e mais sedutor”, finalizou, ao defender a MPB nas escolas também como instrumento de combate à evasão escolar mais trágica, que se localiza nas áreas mais pobres. “A pior evasão é a que faz as crianças saírem dos bancos escolares para a miséria, a pobreza e a violência”.