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Mary Del PrioreA escritora Mary Del Priore fez uma verdadeira viagem no tempo, para provar que no Brasil a construção de um país para todos, a partir da educação pública, nunca foi levada a sério. Ao participar da Sessão Especial do Fórum Nacional, nesta quinta-feira 15, Mary Del Priore, lembrou que já no período colonial as elites brasileiras buscavam mascarar ou ignorar a origem africana da nacionalidade brasileira, por considerar o continente africano como um resíduo cultural no mundo.

“Aceitar a ideia da origem indígena era mais palatar, mesmo sobre as imagens de Debret, que descrevia o índio como pessoas sujas, sentadas no chão e comendo com as mãos”, recordou Mary.

A escritora lembrou, ainda, que a determinação de se negar a origem portuguesa, no período pós independência, colocava a elite brasileira em um conflito. Pois negar a origem portuguesa também significaria romper com a origem europeia. Esta mesma determinação fortalecia a ideia da mistura de raças, com o brasileiro nascendo da mistura do branco, índio e negro, que prevaleceu por longo tempo.

À medida em que o mundo percebia e investia cada vez mais na educação como forma de fortalecer laços nacionais, no Brasil, para Mary Del Priore, negros eram impedidos de frequentar as escolas, e meninos pobres só podiam estudar para oferecer mão de obra barata em troca. Muito parecido com o que ainda prevalece nos dias de hoje.