Livros

Porque o Brasil não é um país de alto crescimento?. J. Olympio, Rio de Janeiro, 2006 [XVIII Fórum Nacional- 2006].

Este livro, que resulta do XVIII Fórum Nacional (2006), aborda questão da mais alta relevância para o futuro do Brasil: por que não somos mais um país de alto crescimento? Questão que, segundo observa João Paulo dos Reis Velloso na introdução, nos causa pesadelos. Sinalizando que há algo de muito errado no reino do Brasil – econômica, social e politicamente. Pois já fomos campeões de crescimento econômico, com o PIB avançando cerca de 6% ao ano entre 1900 e 1980, comparados com minguados 2% anuais desde então.

As causas desse desempenho risível, que perdura por quase uma geração, precisam ser conhecidas e superadas. Reconheça-se, de início, que o mundo mudou com a globalização, principalmente financeira, tornando imperioso firme compromisso com os fundamentos macroeconômicos. Mas é preciso ir além deles, formulando uma clara estratégia de crescimento, com metas preestabelecidas, ajustadas às adotadas para a inflação, os juros, as contas públicas. Estratégia esta inserida em projeto de desenvolvimento que enfrente, concomitantemente, a grave crise política e a resistente questão social.

O primeiro tema do livro diz respeito ao desenvolvimento do país: suas perspectivas globais; as inter-relações entre avanço tecnológico, aumento das exportações e crescimento; a questão da energia; a conciliação de mais crescimento e menos pobreza e desigualdade.

O segundo, a “verdadeira revolução brasileira”; detém-se no exame das grandes transformações estruturais da sociedade: a busca do cumprimento das leis; o exercício da cidadania numa república democrática; a ética na política, governo e empresa; o ensino fundamental de qualidade, alicerce da formação de recursos humanos; a vez e a voz dos pobres como fulcro da política social.

O terceiro trata da construção de bases macroeconômicas viabilizadoras do alto crescimento: mais flexíveis e sem dogmatismos, principalmente na área monetária.

O quarto tema, complementar ao anterior, examina a reforma do Estado brasileiro compatível a ajuste fiscal feito essencialmente mediante contenção de despesas – reforma voltada, portanto, para a racionalização administrativa e novas e mais efetivas formas de gestão pública.

O quinto volta-se para a inovação como estratégia para alcançar o alto crescimento e destaca sua centralidade nas políticas industrial, tecnológica e de comércio exterior.

O último, o da Segurança Pública, tratado na sessão de encerramento do Fórum, buscou conceber enfrentamento da escalada do crime organizado com base na integração de ações: dos governos federal, estaduais e municipais. E na presença do Estado – como lei e ordem e, de forma preventiva, com políticas sociais – nas periferias urbanas das maiores cidades.

Um segundo livro, também publicado pela Editora José Olympio e intitulado O Brasil e a nova ordem (desordem?) mundial, reúne os textos correspondentes aos painéis III e IV do XVIII Fórum, que retomaram, atualizando-o, tema da Conferência Internacional sobre a Nova Ordem Mundial, de 1992, organizada pelo Fórum Nacional.

R.C.A

Sumário

Introdução

Por que o Brasil não é um país de alto crescimento?
João Paulo dos Reis Velloso

Primeira Parte – O Brasil: dimensões do desenvolvimento

Mensagem aos brasileiros de boa-fé
João Paulo dos Reis Velloso

O Brasil e suas perspectivas
Enrique Iglesias

Desenvolvimento tecnológico, comércio exterior e crescimento
Luiz Fernando Furlan

A auto-suficiência em petróleo, sonho que se tornou realidade
José Sergio Gabrielli de Azevedo

Pobreza e crescimento: círculos virtuosos e viciosos – ênfase no Brasil
William F. Maloney

Estratégia de desenvolvimento em nível local (Desenvolvimento Regional Sustentável – DRS)
Luiz Oswaldo Sant’Iago Moreira de Souza

Segunda Parte – A verdadeira revolução brasileira

A revolução da cidadania: em busca de uma república democrática
José Murilo de Carvalho

A revolução do cumprimento da lei: os traços negativos da cordialidade
Miguel Reale Júnior

Revolução ética: as empresas e a ética
Roberto Teixeira da Costa

Revolução na educação: a qualidade do ensino fundamental? O óbvio que não é óbvio
Claudio de Moura Castro

A revolução social: vez e voz aos pobres
Roberto Cavalcanti de Albuquerque e Sonia Rocha

Terceira Parte – Fora do crescimento não há salvação: as bases macroeconômicas sem dogmatismos

Política macroeconômica, choque externo e crescimento
Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti

Escancarando o problema fiscal: é preciso controlar o gasto não-financeiro obrigatório da União
Raul Velloso

A agenda de política econômica externa para o novo ciclo de expansão
Cláudio R. Frischtak e Marco Antônio F. H. Cavalcanti

Quarta Parte – Modernização do Estado brasileiro: salto de gestão e racionalidade (indo às causas da “armadilha” fiscal)

Gasto público menor e mais eficiente: condição para o alto crescimento
Marcos Mendes

Estado e modernidade
Marcílio Marques Moreira

Modernização do Estado brasileiro
João Geraldo Piquet Carneiro

Questões que precedem as reformas: comentário
Márcio Fortes

Quinta Parte – A inovação como estratégia para alcançar o alto crescimento

Consolidação dos instrumentos da política de ciência, tecnologia e inovação
Sergio Machado Rezende

Intensidade tecnológica e internacionalização de empresas brasileiras
Alessandro G Teixeira

Ampliação da faixa de empresas que inovam e diferenciam produtos
Glauco Arbix e João Alberto De Negri

O BNDES e a inovação
Antonio Barros de Castro

Incentivos à inovação
José Augusto Coelho Fernandes

Podemos esperar crescimento elevado com os recentes estímulos à inovação tecnológica?
Roberto Nicolsky

Menos burocracia, mais engenharia
Fernando Sandroni

Sexta Parte – Guerra ao narcotráfico: estratégia de segurança com ênfase na integração de ações

A ação do governo federal na área de Segurança Pública
Márcio Thomaz Bastos

Como o Exército brasileiro vem desempenhando seu papel constitucional no tocante à Segurança Pública
Francisco Roberto de Albuquerque

Segurança Pública, prioridade nacional
Roberto Precioso Júnior

Segurança Pública – o que falta fazer?
José Vicente da Silva Filho

Juventude e Segurança Pública no país
Alba Zaluar