Livros

O Real e o futuro da economia. J. Olympio, Rio de Janeiro, 1995 [VII Fórum Nacional- 1995].

Neste livro, o Fórum Nacional retoma, em novas bases, a discussão do Plano Real, defendendo a necessidade de uma reformulação estratégica, voltada tanto para sua própria sustentação quanto para assegurar, sob a égide de um novo modelo de desenvolvimento, duradouro ciclo de crescimento.

Na introdução, João Paulo dos Reis Velloso considera que essa reformulação deve atender a um conjunto de precondições que liberte o programa de estabilização de sua “armadilha atual, em que só resta, como instrumento de contenção da demanda, a política monetária, tendo como peça central taxas de juros elevadíssimas”. Defende um “projeto de produção”e um “projeto de exportação”, além de ajuste fiscal de curto e longo prazos complementado por “ativo programa de privatização”.

Na primeira parte, examina-se os requisitos para a consolidação do Plano Real. Mario Henrique Simonsen enfatiza que ele não pode basear-se na chamada âncora cambial, enumerando várias etapas complementares a cumprir: a reforma do Estado e a privatização; a recuperação da autonomia da política monetária, a reforma tributária; o reequacionamento da previdência social; o fortalecimento da taxa de poupança; e a complementação do processo de desindexação. E Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti analisam mais especificamente o dilema cambial, ressaltando que, se não se quiser desvalorizar o real, ter-se-á de desaquecer significativamente a economia, e, não se enfrentando este problema, se estará mantendo a inflação baixa apenas a curto prazo. Eles propõem reformulação radical da estratégia de estabilização, com controle da expansão dos “agregados monetários mais relevantes e baixando a taxa de juros” e “com estratégia fiscal mais austera”.

Na segunda parte, analisam-se as condições para o crescimento na estabilidade. Antonio Barros de Castro examina o que chama de “paradoxo do desajuste na estabilidade”, que contrapõe a limitada estrutura de oferta e as aspirações de consumo da sociedade, para propor nova agenda de política econômica voltada para superar a escassez na estabilidade. E Roberto Teixeira da Costa e Raul W. R. Velloso consideram, respectivamente, os ajustes que devem ser feitos no mercado de capitais ante novo ciclo de crescimento e a questão, ainda em aberto, do equilíbrio das contas da União.

A terceira parte do livro dedica-se a discutir os rumos da política industrial, com contribuições de Eduardo Augusto Guimarães, Edward J. Amadeo e Regis Bonelli. Consideram-se, sucessivamente: as relações entre o plano de estabilização, o processo de abertura comercial e a política industrial; uma agenda de política industrial “pró-ativa” para o país; e a configuração institucional a ser adotada para a boa condução da política industrial no atual período de transição para um novo padrão de industrialização.

A quarta parte, finalmente, aborda a questão do emprego. José Pastore quantifica o “custo Brasil”na área trabalhista e formula proposta para a modernização das relações de trabalho. Jorge Jatobá, Claudio Salm e Maria Cristina Cacciamali apresentam visões alternativas de uma política de emprego. E Claudio R. Frischtak confere destaque ao papel da pequena empresa na geração de empregos, de forma compatível com a elevação de sua competitividade.

Sumário

Introdução

Os grandes desafios econômico-sociais do país
João Paulo dos Reis Velloso

Primeira Parte – A consolidação do Plano Real

Novos desafios da economia brasileira
Mario Henrique Simonsen

Câmbio e inflação
Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti

Segunda Parte – Estabilidade e crescimento

Estabilizar e crescer: o paradoxo do desajuste na estabilidade
Antonio Barros de Castro

O mercado de capitais e o novo ciclo de crescimento: uma visão global
Roberto Teixeira da Costa

O equilíbrio das finanças públicas
Raul W. R. Velloso

Terceira Parte – Rumos da política industrial

Abertura econômica, estabilização e política industrial
Eduardo Augusto Guimarães

Contra a inevitabilidade dos paradigmas: uma agenda de política industrial
Edward J. Amadeo

Política industrial: proposta para discussão
Regis Bonelli

Quarta Parte – Relações de trabalho e emprego

O ‘custo Brasil’ na área trabalhista: propostas para modernização das relações de trabalho
José Pastore

Política de emprego no contexto da globalização
Jorge Jatobá

Crescimento e emprego
Claudio Salm

Mercado de trabalho no Brasil da década de 1990: menos empregos, mais política pública
Maria Cristina Cacciamali

Emprego e pequena empresa
Claudio R. Frischtak