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O novo governo e os desafios do desenvolvimento. J. Olympio, Rio de Janeiro, 2002 [Seminário Especial- 2002].

Este livro trata das dificuldades enfrentadas pela economia brasileira no início do século XXI, tendo como data de referência a das eleições gerais de outubro de 2002.

São examinados, segundo diversos pontos de vista, os requisitos para a superação dos obstáculos que têm impedido a retomada do crescimento econômico, considerado prioritário para que se inicie um novo ciclo de desenvolvimento sustentável.

A perda de rumo do país desde a década de 1980, que culminou com a hiperinflação e a desorganização da vida econômica, exigiu amplas e profundas transformações, levadas a cabo na década passada.

Mas o bem-sucedido esforço de modernização e de saneamento financeiro do Estado não se completou, em decorrência principalmente, de dificuldades políticas internas.

Nesse cenário de transformações, as opções estratégicas e as políticas macroeconômicas adotadas livraram o país da hiperinflação. Mas não construíram bases sólidas para uma retomada do crescimento econômico.

Simultaneamente, as aberturas comercial e financeira levaram o Brasil a ampliar sua inserção internacional, o que, no contexto de um câmbio apreciado, levou a grandes déficits externos e a um acentuado aumento do endividamento do país.

A conjugação da política macroeconômica com a necessidade crescente de captação de recursos externos se traduziram em preocupante vulnerabilidade externa, magnificada pelo ambiente de instabilidade financeira internacional. Esta situação torna necessária uma revisão estratégica de rumos, cuja definição se constituirá no principal desafio do novo governo.

Os trinta e um textos apresentados neste volume procuram identificar os obstáculos a vencer e os caminhos possíveis para que se supere o impasse em que se encontra a economia brasileira.

A primeira parte é dedicada às condições internas  para que o país supere a situação crítica de vulnerabilidade financeira externa e recupere condições de voltar a crescer, sem prejuízo das importantes conquistas recentes: saneamento financeiro, responsabilidade fiscal e estabilidade da moeda.

A segunda parte trata de experiências de outros países em desenvolvimento. Trata também de uma política de promoção de exportações e de substituição competitiva de importações, considerada indispensável à superação da vulnerabilidade externa. Trata, ainda, do cenário internacional no qual o Brasil está inserido.

Na terceira parte examinam-se alternativas de reforma tributária, o necessário avanço do conceito de responsabilidade fiscal e o equilíbrio das contas do governo federal.

A quarta parte é voltada para a competitividade da economia real, com análises específicas da mineração, da agricultura, e do meio ambiente. Examinam-se a situação crítica da infra-estrutura de energia e transportes e a necessidade de uma política industrial e de desenvolvimento tecnológico.

A quinta parte é dedicada ao estabelecimento do circuito investimento/crescimento/ poupança. Trata-se do financiamento das atividades produtivas, do fortalecimento do mercado de capitais e da superação do impasse resultante da elevada taxa de juros.

Sumário

Apresentação
João Paulo dos Reis Velloso

Introdução e síntese
Antonio Dias Leite e Francisco Eduardo Pires de Souza

O Novo Governo e os Desafios do Desenvolvimento

Primeira Parte – Condições Gerais do Crescimento Econômico

Uma estratégia de desenvolvimento com estabilidade
Luiz Carlos Bresser Pereira e Ioshiaki Nakano

Transição crítica
Antonio Delfim Netto

Uma economia em transformação – obstáculos internos e externos
Carlos Geraldo Langoni

Crescimento, exportações e poupança: uma perspectiva de médio e longo prazo
Cláudio R. Frischtak  e Marco Antonio F. H. Cavalcanti

A redução da vulnerabilidade externa: dilemas, custos e alternativas
Francisco Eduardo Pires de Souza

Correndo contra o relógio: sustentabilidade cambial e fiscal da economia brasileira
Luciano G. Coutinho, Fernando de Arruda Sampaio Bernardo Appy

Brasil 2003-2006: compromisso com o crescimento
Paulo Rabello de Castro

O Brasil e a economia do conhecimento
João Paulo dos Reis Velloso

Segunda Parte – Cenário Externo e Política de Exportação

Crescimento econômico: a evidência estatística mundial
Antonio Dias Leite

Ruptura e continuidade no desenvolvimento econômico da Ásia
Carlos Aguiar de Medeiros

Da economia protegida à economia aberta: o caso português
Rogério Martins e Francisco Sarsfield  Cabral

A exportação como fator de integração da América do Sul
Emilio Odebrecht

Fundamentos de uma política de comércio exterior para o Brasil
Benedicto Fonseca Moreira

Focando a política brasileira de promoção de exportações
Ricardo Markwald e Fernando Puga

As novas prioridades da política comercial brasileira
José Tavares de Araújo Júnior

As opções comerciais do Brasil
Luiz Felipe Lampreia

Terceira Parte – Reforma Tributária e Equilíbrio Fiscal

Modernização tributária e federalismo fiscal
Fernando Rezende

Desinterditando transições: reforma tributária e construção da Alca
Marcos Cintra

Responsabilidade fiscal: primeiros e próximos passos
José Roberto Rodrigues Afonso

Sem corte de gastos não haverá crescimento
Raul Wagner dos Reis Velloso

Quarta Parte – Competitividade da Economia Real

Será que o Brasil acordará para a importância da mineração?
José Mendo Mizael de Souza

Uma Estratégia para o agronegócio brasileiro
Roberto Rodrigues e Ivan Wedekin

A Agenda 21 Brasileira: do Rio a Johannesburgo
Paulo Haddad

O gargalo estrutural do setor energético
Adilson de Oliveira

Infra-estruturas de transporte: crise e desafios
Josef Barat

O retorno da política industrial
Fábio Erber

Bases para uma política industrial moderna
Ana Claudia Alem, José Roberto Mendonça de Barros e Fabio Giambiagi

Quinta Parte – Financiamento da Retomada do Crescimento

Mercado de capitais: a educação de empresas e investidores
Roberto Teixeira da Costa

Financiamento do setor privado e retomada do crescimento
Carlos Antônio Rocca

O financiamento da retomada: desafios e oportunidades
Claudio Roberto Contador

Políticas de atração de investimentos diretos estrangeiros
Antonio Corrêa de Lacerda