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O desafio da China e da Índia: a resposta do Brasil. J. Olympio, Rio de Janeiro, 2005 [XVII Fórum Nacional- 2005].

O desafio da China e da Índia: a resposta do Brasil publica os estudos e pronunciamentos do XVII Fórum Nacional (2005). O cerne desse desafio –de dois concorrentes nossos, mas também parceiros: no comércio, nos investimentos e nas negociações multilaterais – está nos grandes ganhos competitivos recentes daqueles dois países. O risco corrido pelo Brasil é ir ficando para trás, marginalizado nas exportações de produtos mais intensivos em conhecimento, ameaçado em seu próprio mercado interno. Sendo, portanto, preciso que se firme o crescimento nacional, intensificando seu ritmo. E que se avance na produção competitiva de bens de elevado conteúdo tecnológico, inclusive nas áreas intensivas em recursos naturais e em particular no agronegócio.

Com esses propósitos em mente, o Brasil necessita, em primeiro lugar, consolidar os fundamentos do crescimento sustentado: através de firme compromisso com políticas macroeconômicas estáveis no longo prazo, envolvendo: o regime fiscal, o controle da inflação, o financiamento competitivo dos investimentos.

Em segundo lugar, cabe modernizar a infra-estrutura, com expressiva participação da iniciativa privada nas inversões para tanto necessárias. Com esse objetivo, são importantes as Parcerias Público-Privadas, (PPPs) e o papel do BNDES em áreas como ferrovias, rodovias e portos. Como é essencial insistir, no caso da energia elétrica, nas fontes renováveis (hidreletricidade e biomassa), que já constituem característica da matriz energética nacional, bem como na integração do gás natural com o mercado de energia elétrica. No caso dos transportes, cabe destacar os corredores de exportação, concebidos com visão intermodal, atentando-se para os dois modais que envolvem menores custos de transporte de cargas: o ferroviário e o fluvial. Eles são pouco expressivos na matriz de transportes nacional.

No que respeita à competitividade industrial e à inovação, a nova política industrial brasileira definiu com clareza suas prioridades: bens de capital, fármacos, software e semicondutores. Seu novo modelo institucional – onde sobressaem o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, CNDI, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, ABDI, a Agência Brasileira para a Promoção de Exportações, Apex Brasil e o BNDES é um avanço em direção a uma
melhor inserção internacional do país. E serão bem-vindos os anunciados incentivos à inovação, pois, como sabido, são fortes os indicadores que apontam boa correlação entre, de um lado, elevado desempenho exportador e, de outro, inovação tecnológica e diferenciação produtiva.

No agronegócio, que já é uma de nossas mais importantes plataformas de exportação, o objetivo é uma “nova revolução”: com o apoio da economia do conhecimento, significando mais ciência e tecnologia e, em geral, mais conhecimento, ao longo de toda a cadeia produtiva.

No que concerne, finalmente, à extensão, a todo o país, dos benefícios de um novo ciclo de crescimento, foram propostas estratégias de desenvolvimento para o Nordeste e a Amazônia. Elas atentam para os potenciais de crescimento e, em decorrência, as oportunidades de investimento dessas duas regiões, menos avançadas em seu progresso econômico-social em relação ao restante do Brasil

Um outro livro, já publicado pela José Olympio, intitulado Reforma política e economia do conhecimento: dois projetos nacionais, complementa este volume, cobrindo temas, centrais, que também constaram da agenda do XVII Fórum Nacional.

R.C.A.

Sumário

Síntese e Conclusões

Os pontos básicos do XVII Fórum Nacional
João Paulo dos Reis Velloso

Introdução

O desafio da China e Índia e a resposta do Brasil…para cima
João Paulo dos Reis Velloso

Uma nova configuração ao Sul
Carlos Lopes

Primeira Parte – Consolidando o crescimento sustentado: as agendas macro e micro

A política econômica hoje e no futuro
Antonio Palocci

A eficácia da política monetária
Henrique Meirelles

O papel do Congresso Nacional no desenvolvimento recente do país
Aloizio Mercadante

As condições macroeconômicas: política fiscal e balanço de pagamentos
Affonso Pastore e Maria Cristina Pinotti

A rigidez orçamentária: escolhas difíceis
Raul Velloso

Política econômica e crescimento sustentado: comentário especial
Tasso Jereissati

Segunda Parte – A resposta do Brasil, I: política industrial e tecnológica de inovação

Apoio à inovação para o fortalecimento da competitividade das empresas
Luiz Fernando Furlan

O BNDES e o novo ciclo de desenvolvimento
Guido Mantega

A nova competitividade da indústria e o novo empresariado
Glauco Arbix , Mario Salerno e João Alberto de Negri

Política industrial e tecnológica: comentário especial
Armando Monteiro Neto

A importância da inovação tecnológica
Paulo Skaf

A inovação pelas empresas: equívocos e riscos
Fernando Sandroni

Terceira Parte –  A resposta do Brasil, II: nova revolução no agronegócio

Perspectivas do agronegócio
Roberto Rodrigues

A revolução do agronegócio/agroindústria com base na economia do conhecimento
José Roberto Mendonça de Barros e Alexandre Lahóz Mendonça de Barros

A Embrapa e o agronegócio
Silvio Crestana e Eliseu Alves

O agronegócio e o futuro
Marcus Vinícius Pratini de Moraes

A política agrícola no Brasil: comentário especial
Alysson Paulinelli

Quarta Parte – O investimento privado em infra-estrutura capaz de impulsionar o desenvolvimento

A estratégia de modernização da infra-estrutura brasileira
José Dirceu

O sistema elétrico brasileiro: realidades, perspectivas
Dilma Roussef

Planejamento e parcerias público-privadas
Paulo Bernardo

Infra-estrutura e desenvolvimento: o papel do BNDES
Demian Fiocca

Infra-estrutura e competitividade no Brasil
Cláudio R. Frischtak e Andrea Gimenes

Regulação e concorrência em setores da infraestrutura
José Tavares de Araujo Jr.

Uma logística para o agronegócio: comentário
César Borges de Souza

Quinta Parte – Regionalizando o desenvolvimento: estratégias para o nordeste e a Amazônia

A política regional, suas instituições e desafios
Ciro Gomes

O Banco do Nordeste e a estratégia de desenvolvimento regional
Roberto Smith

Nordeste e Amazônia: novos caminhos do desenvolvimento
Roberto Cavalcanti de Albuquerque

Políticas de desenvolvimento para um espaço heterogêneo
Kenneth M. Chomitz

A Zona Franca de Manaus e o desenvolvimento sustentável da Amazônia
Flávia Skrobot Barbosa Grosso