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Amazônia, vazio de soluções? Desenvolvimento moderno baseado na biodiversidade. J. Olympio, Rio de Janeiro, 2002 [Seminário Especial- 2001].

A biodiversidade – seu conhecimento e conservação -, a biotecnologia, a bioindústria ganham espaço crescente na agenda nacional. Os grandes jornais, as revistas de maior circulação, a mídia em geral vêm-lhes dedicando amplas matérias sobre o assunto. Em Brasília, pelo menos dois Ministérios, os do Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, conferem elevada prioridade. E tramita no Congresso Nacional medida provisória que regula o acesso aos recursos bióticos do país.

O Fórum Nacional, atento à importância do tema, sobretudo para a Amazônia, organizou, no Rio de Janeiro, em setembro de 2001, o Seminário Especial A biodiversidade como estratégia moderna de desenvolvimento da Amazônia.

A iniciativa, no dizer de João Paulo dos Reis Velloso, coordenador do Fórum e autor da introdução deste livro, decorre da convicção de que “somente a biodiversidade (secundada pelo turismo ecológico) pode constituir a base para uma moderna inserção internacional da Amazônia”. Inserção com preservação e conservação ambientais, de elevada densidade econômica – e de que resultem benefícios para a região e o país.

Em 1995, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente avaliou em treze milhões os organismos vivos da Terra. Cerca de 1,5 milhão das espécies desse patrimônio biótico planetário está catalogado, encontrando-se nos tópicos, especialmente das Américas, a maior parte das formas de vida ainda desconhecidas. O Brasil é o campeão mundial de megadiversidade, abrigando cerca de três milhões de espécies (20%). Menos de trezentas mil delas (10%) são conhecidas e classificadas cientificamente. E não mais de 1% (três mil espécies) já terá sido objeto de alguma caracterização genética.

A Amazônia é a maior reserva mundial de recursos naturais. Duas fronteiras, a do conhecimento e a da conservação dos recursos naturais, podem unir-se, interagindo, dinamicamente para que a Amazônia possa transformar seu patrimônio genético em alavanca de progresso. Nesse encontro, necessário, a biotecnologia tem importância estratégica. Seu grande desafio consiste em identificar as espécies de interesse econômico e em mapear o imenso e desconhecido banco de genomas da Amazônia, avançando na decifração de seus códigos genéticos, ponto de
partida para o desenvolvimento da produção e exportação de fármacos, corantes naturais, bioinseticidas, cosméticos, aminoácidos, proteínas e muito mais.

Neste livro é feito balanço do pouco que se sabe e do muito que se precisa saber sobre a megadiversidade amazônica. Identificam-se as potencialidades de seu uso sustentável, com destaques para o Centro de Biotecnologia da Amazônia, base para o desenvolvimento da biotecnologia e bioindústria. Discute-se o projeto de regulação do acesso à biodiversidade brasileira, atualmente em exame pelo Congresso Nacional. E relata-se o que pensa sobre esses temas o empresariado nacional, bem como o que nesse campo está sendo feito ou se pretende fazer.

O Brasil já desponta como potência latino-americana em biotecnologia. Pode avançar muito mais: tirando partido da inestimável riqueza, que lhe pertence, representada pela megadiversidade da Amazônia.

Roberto Cavalcanti de Albuquerque
Diretor Técnico do Inae-Fórum Nacional

 

Sumário

Introdução

A biodiversidade como estratégia moderna de desenvolvimento da Amazônia
João Paulo dos Reis Velloso

Amazônia, Vazio de Soluções? A biodiversidade na Amazônia: uma introdução ao
desconhecido
Braulio Ferreira de Souza Dias

O uso sustentável da biodiversidade amazônica
Sérgio Braga

A regulação do acesso à diversidade biológica da Amazônia
Ney Lopes

A iniciativa privada e a regulamentação da biodiversidade
Felix de Bulhões

Uma experiência empresarial brasileira em biotecnologia
Antonio Paes de Carvalho