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A nova estratégia industrial e tecnológica: o Brasil e o mundo da III Revolução Industrial. J. Olympio, Rio de Janeiro, 1990 [I Fórum Nacional – 1988].

A presente obra representa contribuição importante, e original, a um dos temas básicos da atualidade brasileira: qual é o nosso novo estágio de desenvolvimento industrial e tecnológico.

A questão se torna crucial diante do nosso atraso na incorporação de novas tecnologias, segundo o atual paradigma industrial do mundo. Dele resultam importantes modificações nas vantagens comparativas dinâmicas do país. É preciso identificá-las e definir os caminhos através dos
quais vamos tirar proveito das novas oportunidades e efetuar mudanças de curso necessárias, pela perda de vantagens anteriores. Crucial, também, ante a realidade inevitável de ter de adquirir status de competitividade internacional, em boa parte da indústria brasileira, mesmo aquela voltada para o mercado interno.

Várias são as razões. O país precisa expandir exportações, como é amplamente reconhecido. Tem, ao mesmo tempo de tornar suas indústrias menos vulneráveis à competição externa, na área de importações, que tende a pressionar-nos mais. A realidade dos blocos regionais é que os EUA e a Europa unificada vão insistir na chamada reciprocidade, para disputar acesso aos mercados do Japão e dos subdesenvolvidos principais em muitos setores modernos. Por isso, qualquer sistema de barreiras administrativas generalizadas, como tínhamos, se torna inviável. Essas reservas de mercado ficam ameaçadas. O Brasil terá de completar o atual processo de criação de um sistema de proteção mais racional, baseado em adequado nível de tarifas e em mecanismos e salvaguardas (medidas contra dumping e outras formas desleais de comércio).

Claro, as mudanças têm de ocorrer num contexto de reestruturação industrial, para fortalecer a competitividade de inúmeros setores, e não de ruptura industrial, com grandes perdas para o emprego.

Toda essa variedade de temas está amplamente discutida, seja através do esforço de definir a nova estratégia industrial e tecnológica (João Paulo dos Reis Velloso) ou de cobrir importantes aspectos dessa estratégia: as perspectivas industriais brasileiras (Régis Bonelli e Eduardo Guimarães), o mercado de consumo de massa (Antonio Barros de Castro), a política científica e tecnológica (José Pelúcio Ferreira), o papel da pesquisa científica (José Goldemberg), as implicações dos novos padrões tecnológicos (José Ricardo Tauile), o novo paradigma industrial (Henrique Rattner), as altas tecnologias (Mariano Laplane, Sérgio Queiroz, Hebe Mitlag, José Maria da Silveira e Sérgio Salles Filho) e a desconcentração industrial (Nilson Hollanda). Vários outros tópicos são comentados por Marcos Vianna, André Franco Montoro Filho e Julian
Chacel.

Sumário

Introdução Geral

Idéias para a modernização do Brasil

A Nova Estratégia Industrial e Tecnológica: O Brasil e o Mundo da III Revolução Industrial

Primeira Parte – O novo estágio industrial: visão global

Idéias para a estratégia industrial e tecnológica
João Paulo dos Reis Velloso

Segunda Parte – As bases da nova política industrial e tecnológica

Política econômica e estratégia industrial: perspectivas
Regis Bonelli
e Eduardo Augusto Guimarães

Consumo de massas e retomada do crescimento
Antonio Barros de Castro

Diretrizes de política científica e tecnológica
José Pelúcio Ferreira

O presente papel da pesquisa científica no desenvolvimento brasileiro
José Goldemberg

Novos padrões tecnológicos, competitividade industrial e bem-estar social: perspectivas brasileiras
José Ricardo Tauile

O novo paradigma industrial e tecnológico, e o desenvolvimento brasileiro
Henrique Rattner

Os novos vetores tecnológicos: microeletrônica, novos materiais e biotecnologia
Mariano Laplane, Sérgio Queiroz, Hebe Mitlag, José Maria F. J. da Silveira e Sérgio L. M. Salles Filho

Terceira Parte – Desconcentração industrial

Uma política de desconcentração industrial para o Brasil
Nilson Holanda

A capacitação tecnológica como fator crítico
Marcos Pereira Vianna

Opções estratégicas
André Franco Montoro Filho

As áreas de consenso
Julian Chacel