Levy grava depoimento para o Fórum Nacional

Joaquim LevyImpossibilitado de comparecer ao XXVII Fórum Nacional, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, gravou em Brasília um depoimento exclusivo para o evento, exibido no segundo dia de debates. Em 20 minutos de pronunciamento, Levy se mostrou otimista quanto às perspectivas econômicas, em que pese as adversidades atuais. “Devemos lembrar que, apesar da desaceleração econômica, o mundo não parou”, disse.

“O ajuste agora requerido para a retomada do desenvolvimento econômico pretende reduzir custos e riscos”, afirmou. “Mas a estratégia governamental para a retomada do crescimento não para naquelas medidas já anunciadas no ajuste”, completou.

Para o ministro, a ampliação do papel do mercado de capitais é fundamental na retomada do desenvolvimento. “Novas formas de financiar a infraestrutura nacional, por meio do mercado financeiro, serão um caso de ganha-ganha, onde todos saem lucrando”, disse. A expansão do comércio exterior seria uma consequência natural do fortalecimento da infraestrutura. “Abertura e concorrência criam uma disciplina, nem sempre confortável, mas eficaz”, afirmou Levy.

O ministro citou também a necessidade de melhoria da qualidade da educação visando o salto tecnológico que o País precisa dar nos próximos anos, caso queira competir no mercado globalizado. “Breve estaremos ouvindo os sinais alvissareiros dos contos de Sagarana, e saberemos que estaremos respondendo à altura dos desafios propostos neste Fórum de debates”, concluiu.

Veja a íntegra do vídeo gravado pelo Ministro Joaquim Levy

Norte e Nordeste, para além das secas e da Amazônia

Roberto Cavalcanti de Albuquerque“A palavra Nordeste quase não sugere senão as secas.” Foi citando Gilberto Freyre que o diretor-técnico do Fórum Nacional, Roberto Cavalcanti de Albuquerque, iniciou sua palestra sobre “Estratégias de desenvolvimento regional – Nordeste e Amazônia”. Advogado pós-graduado em economia, Albuquerque propôs a criação de uma “nova geografia”, a fim de reduzir o hiato de desenvolvimento que tanto o Nordeste quanto o Norte carregam há tanto tempo.

Juntos, o Norte e o Nordeste, com mais de 5,4 milhões de quilômetros quadrados, somam 63,5% da área territorial, abrigam apenas 36% da população do País e geram PIB de somente R$ 709 bilhões (18,8% do PIB nacional, dos quais 13,5% correspondem ao nordestino). “Há espaço para melhorar muitos indicadores”, atestou Albuquerque.

Dada a dimensão do território nordestino (mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados) e sua ampla diversidade, uma estratégia de desenvolvimento para a região deve ter como pressuposto a concepção de uma “nova geografia regional”, disse o palestrante, propondo a adoção de Unidades Geopolíticas (que seriam os nove estados) e 33 Áreas Geoeconômicas (consideradas espaços de referência para o planejamento e execução das ações estratégicas).

Na avaliação de Albuquerque, há quatro objetivos-meios consistentes aos objetivos-fins regionais: a competitividade sistêmica (a ser construída mediante eixos de integração e inserção regional nas áreas de transportes, energia e comunicações), a economia baseada no conhecimento, a expansão econômica voltada para um novo perfil produtivo (aumento das exportações, com ênfase no agronegócio) e a modernização social (educação e qualificação, expansão do emprego e redução da pobreza). “O fato é que a região tem um dinamismo próprio, muito aberto a oportunidades”, salientou o palestrante.

A estratégia para o desenvolvimento da região amazônica, de acordo com Albuquerque, deve seguir a mesma lógica proposta para o Nordeste: nova divisão geográfica e ocupação humana seletiva e descontínua. “Mas devemos lembrar que a riqueza está na floresta. Destruí-la significa destruir a Amazônia”, ressaltou.

Somos um fracasso no crescimento econômico e de produtividade

Raul Velloso“O Brasil está passando por uma séria estagnação econômica, que faz com que o País tenha uma queda tão importante no crescimento, que o PIB do ano passado fechou negativo e a tendência para este ano não é muito diferente”.

A declaração é do economista Raul Velloso, que alertou, nesta terça-feira 12, para a necessidade urgente de mudanças na política econômica, com vistas a incentivar o investimento privado em infraestrutura.

“O momento é grave porque, se não fizermos um diagnóstico certo e não acertarmos nas medidas, o Brasil vai perder o grau de investimento”, alerta Velloso, acentuando que as medidas que estão sendo aplicadas pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, vão apenas adiar a ameaça da perda do grau de investimento para o ano que vem.

“Tudo o que o ministro tem feito é adotar medidas de curto prazo para empurrar o problema para o ano que vem. Com isso, a ameaça de perda do grau de investimento apenas é adiada. Estamos apenas ganhando tempo”, garante Raul Velloso.

Velloso participou do XXVII Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Centro do Rio de Janeiro. “Nós desistimos de crescer. Nosso modelo é somente o de evolução do consumo. Já que o modelo de consumo interno se esgotou, só resta o investimento em infraestrutura”, defende.

“A grande dificuldade é a de se adotar um modelo de concessões que estimule as empresas a investir em infraestrutura. No caso das concessões de rodovias, vimos observando progressos e retrocessos”, lamentou o economista.

Raul Velloso classificou como “populismo tarifário” o atual modelo de concessões, com o governo tentando obter nos leilões tarifas incompatíveis com os custos de produção. “Nos leilões da segunda etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais, os critérios pouco rigorosos de pré-qualificação, fizeram com que empresas pouco experiente vencessem leilões, oferecendo tarifas inusitadas”, criticou.

O economista destacou, porém, que o governo enfim se convenceu de que é necessário se fixar tarifas-teto realista, deixando o mercado definir os valores de preços jutos, com perspectiva de retorno do capital investido.

“O problema agora é que a política de modicidade tarifária excessiva parece ter mudado de formato. O governo não pressiona mais os preços das tarifas nos leilões. Uma ação oportunista faz com que essa pressão se dê ao longo da execução dos contratos”, disse Raul Velloso, alertando que as agências reguladoras, como a ANTT estão acéfalas e não cumprem o papel de garantir o equilíbrio entre os interesses do usuário, do governo e das concessionárias.

Ao justificar a opção pelo setor de infraestrutura como foco principal dos investimentos, Velloso lembra que esse é o único setor em que o crescimento vem turbinado pela reação de ganhos na produtividade.

“A Coréia investe hoje o dobro do que o Brasil investe. Nosso problema é da perda da capacidade de crescimento. O Brasil hoje investe o mesmo que investia nos anos 50, mas com menos eficiência”. Porque nos anos 50 a produtividade acompanhava o crescimento e hoje não. “Nós somos um fracasso em investir e em fazer crescer a produtividade”, disse Raul Velloso, para quem o Brasil desistiu de crescer, quando optou pelo modelo de incentivo apenas ao crescimento do consumo.

Em busca de uma nova política industrial e de inovação

Claudio FrischtakUma nova política industrial e de inovação no Brasil. Esta é a premissa básica que o consultor Claudio Frischtak pede para que se inicie um ajuste microeconômico que recoloque o País nos eixos. “Pode-se afirmar que as políticas levadas adiante nos últimos anos falharam”, afirmou o economista, durante o XXVII Fórum Nacional. “A participação da indústria de transformação no PIB se reduziu de tal forma que, em 2014, voltamos sete décadas de história, pois o valor adicionado da indústria, como proporção do valor adicionado do PIB, está no nível de 1947”, comparou, logo ao início da palestra.

Frischtak acredita que o fenômeno de “envelhecimento precoce” do setor manufatureiro foi fruto de políticas errôneas no plano macroeconômico no contexto da “nova matriz” – uma mistura de política fiscal expansionista, taxas de juros “fora do lugar” com a explosão do crédito direcionado e câmbio sobrevalorizado. Ele também aponta erros no plano microeconômico, como o crescente protecionismo, incentivos discricionários a um custo fiscal elevado, e controles de preços que impuseram um enorme dano a setores com fortes vantagens comparativas, como a cadeia sucroalcooleira.

Para o especialista, o Brasil vem enfrentando um tríplice desafio: baixas taxas de investimento, ganhos limitados de produtividade e um esforço inovador insuficiente e localizado em poucos segmentos e empresas. “Não há oferta competitiva com baixa produtividade, custos de transação elevados e baixa integração às cadeias globais de valor. E não haverá oferta competitiva se o País e os agentes econômicos não conseguirem enxergar a fronteira das melhores práticas econômicas, normativas e institucionais”, alertou.

Com o País perdendo espaço nos mercados globais e os empresários céticos quanto à trajetória futura da economia, o ponto de partida, na avaliação de Frischtak, seria o Governo definir claramente uma agenda, comunicar uma estratégia para reverter a situação atual, e assumir um compromisso com ganhos sustentáveis de competitividade com base numa reforma profunda das normas e práticas cartoriais e corporativistas. “Esse compromisso só terá credibilidade se os agentes se convencerem de que o Governo tem um entendimento correto dos problemas e que se dispõe a despender capital político em resolvê-los, sem errar de novo”, concluiu.

Pré-sal: desenvolvimento no fundo do mar

Albino Lopes D'AlmeidaRisco exploratório baixo e expectativa de alta rentabilidade. Essa é a perspectiva que se descortina para o desenvolvimento da exploração petrolífera da camada pré-sal, na avaliação de Albino Lopes D’Almeida, engenheiro de produção e professor da UFF. O especialista alerta, no entanto, para as imensas dificuldades tecnológicas que rondam o negócio. “Estamos falando de exploração a profundidades superiores a 2 mil metros, um enorme desafio para a indústria”, frisou.

Na palestra “Como transformar o pré-sal em grande oportunidade”, no segundo dia de debates do XXVII Fórum Nacional, D’Almeida  traçou um breve histórico da indústria petrolífera nacional, relembrando as quatro décadas de monopólio da Petrobras, que durou até 1995. “Em 2007, divulgou-se a existência do pré-sal, ensejando mudanças na legislação, que vieram em 2010, com um novo marco regulatório”, lembrou Almeida, que também é consultor na área de petróleo e gás.

O palestrante afirmou que, atualmente, o pré-sal já é uma realidade, gerando dividendos, empregos e transformações. “Estamos produzindo no Espírito Santo, e há perspectivas para todo o polígono que inclui Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina”, explicou. D’Almeida comentou que a retomada da indústria naval e a expansão de um parque tecnológico são efeitos colaterais positivos advindos da exploração do pré-sal.

Mais de 70% da população brasileira está fora da classe média

Jessé SouzaO presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (IPEA), Jessé Souza, apresentou nesta terça-feira 12, no XXVII Fórum Nacional, no Rio de Janeiro, uma síntese do estudo que o IPEA está iniciando, na tentativa de trazer ao conhecimento do País um retrato inédito do povo brasileiro e suas necessidades.

O plano denominado como “Uma radiografia do Brasil Moderno, onde estamos e para onde podemos ir”, pretende abordar todas as classes sociais brasileiras, sob a perspectiva de estudos estatísticos, entre outros modelos de avaliação, com vistas à criação de um elo de inovação aplicada.

“O conhecimento tem que ser aplicado, tem que mudar a vida das pessoas. A ciência existe para isso”, defendeu Jessé Souza, argumentando que o Brasil tem mais de 70% da população fora da classe média. E criticou a visão atual, que analisa apenas as classes sociais por meio do acesso ao consumo.

“Classes não podem ser compreendidas apenas pelo poder econômico, mas como um todo”, alerta.

Jessé Souza disse, ainda, que o Brasil precisa romper o ciclo vicioso que escraviza a maioria da população, em consequência de um modelo de educação que não capacita as pessoas para pensar, refletir e compreender o que é ensinado.

“Trata-se de capacitar este brasileiro para a ação econômica. E isso não é culpa da família. Crianças chegam à escola aos cinco anos sem capacidade de concentração ou pensamento prospectivo. E isso é uma herança negativa, pois essas características não são universais, são transmitidas pela verdadeira classe média”, explicou Jessé Souza, para quem hoje existe uma enorme classe social invisível. “Mas a ciência pode torná-la visível. O povo necessita dessa capacitação e não tem essa capacitação”, lamenta.

“Em entrevistas, pessoas adultas se referiam à educação a um ato de ficar de frente para um quadro negro por horas, sem apreender a lição. Esse é o indivíduo médio invisível”, alerta Jessé Souza, acrescentando: “Todos nós vivemos em instituições. É Necessário que essa herança de classe não seja eterna. Com as instituições de estado prometendo educar e apenas fazendo desses indivíduos analfabetos úteis”.

Jessé Souza diz que hoje a única forma de reconhecimento social e de autoestima para essa importante parcela da população vem das igrejas neopentecostais. “As Igrejas neopentecostais dão a essas pessoas o autorrespeito. O reconhecimento social. Coisa que o estado, por meio da educação formal, não vem garantindo”, finalizou.

Da Coreia do Sul ao Brasil: lições para sair do terceiro mundo

Gilmar MasieroA Coreia do Sul é o grande exportador do mundo. A afirmação é de Gilmar Masiero, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Em sua palestra sobre “O desenvolvimento econômico e social da Coreia do Sul: Lições para o Brasil”, Masiero discorreu sobre seus 30 anos de estudo sobre o Leste Asiático.

O professor ressaltou ser extremamente difícil selecionar esta ou aquela experiência nas diversas áreas de atuação dos governos e dos agentes privados que foram fundamentais para o desenvolvimento da economia e da sociedade sul-coreanas. Mas enfatizou o salto dado pelo país – que de pobre e dependente de ajuda externa nos anos 1950, tornou-se potência regional. “A chave talvez seja maior igualdade econômica e social, maior escolaridade e aguçado espírito empreendedor”, sintetizou.

Entre os pontos fundamentais que levaram a Coreia ao topo, Masiero destacou a economia liderada pelo governo, a promoção das exportações para o mercado global, a seleção das indústrias a serem promovidas e o desenvolvimento tecnológico a partir da extensa educação e treinamento.

Masiero citou um exemplo que lhe chamou a atenção pessoal quando estudou o país in loco: o fim dos telhados de palha. “Até 1950, praticamente todas as casas tinham telhado coberto de palha. Em menos de 50 anos, a paisagem mudou radicalmente, impulsionada por programas de governo em cada comunidade, até mesmo nas mais distantes, de tal forma que para se ver algum telhado de palha hoje em dia, só indo a um museu”, comentou.

Na percepção de Masiero, o pragmatismo sul-coreano também foi fundamental para a expansão econômica, sobretudo na cobrança de resultados e nos ajustes de rumo por meio dos planos quinquenais, implantados entre 1961 e 1995. “Estes planos possibilitaram a articulação de políticas que estimularam a competição entre empresas e indivíduos, visando um maior acúmulo e utilização de conhecimentos”, disse.

“A chave do sucesso? Educação, educação e mais educação”, enfatizou o professor ao final de sua apresentação. “Mas educação e treinamento sempre alinhados ao setor privado, buscando a inovação, pois sem inovação, não há salvação”, encerrou.

Estratégia não é tudo, mas é 100%

Marcos HolandaO presidente do Banco do Nordeste, Marcos Holanda, fez questão de enfatizar, nesta segunda-feira 11, durante o XXVII Fórum Nacional, no Rio de Janeiro,  a importância de o País buscar uma estratégia cada vez mais voltada para uma governança eficaz nos setores público e privado, para garantir a retomada do desenvolvimento do Brasil, em especial da região Nordeste.

“O Nordeste teve períodos de crescimento maior do que o próprio Brasil. Reduziu a pobreza e a desigualdade. Mas o Nordeste ainda é pobre e desigual”, disse Marcos Holanda, para quem o Brasil tem que se espelhar nos exemplos dados pelos sul-coreanos, para a criação de um País mais forte e menos desigual.

“A máxima do crescimento sem redução da desigualdade está cada vez mais velha. Não se cresce sendo desigual”, defendeu Marcos Holanda, lembrando que em muitas regiões pobres do nordeste brasileiro ainda há a carência de serviços básico, como saneamento.

Marcos Holanda comparou o Banco do Nordeste com o BNDES, ao falar da importância da instituição para o desenvolvimento regional.  “No caso do Nordeste, a inovação tem que vir dentro do contexto regional, com aplicação de tenologias modernas na pecuária, indústria e no setor de serviços”, garantiu Holanda, lembrando que o que antes era um canavial falido, em Pernambuco, hoje é uma moderna fábrica da Fiat.

Marcos Holanda aponta a infraestrutura portuária do Nordeste como fundamental para o desenvolvimento do País e da região, com vistas ao mercado externo e voltou a defender uma forte estratégia de inserção no mercado externo por parte dos setores público e privado nacionais, citando um humorista cearense: “Assim como dinheiro, a estratégia não é tudo, mas é cem por cento”, finalizou sorrindo.

É hora de integrar-se à nova revolução industrial

João Paulo dos Reis VellosoO Brasil precisa integrar-se à nova revolução industrial. Foi o que propôs o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso na abertura do XXVII Fórum Nacional, em que o tema central é “A hora e a vez do Brasil (Povo Brasileiro)”. O ex-ministro iniciou a palestra citando José Bonifácio de Andrada e Silva, que em manuscrito de 1820 comentava o “caráter geral dos brasileiros”, enfatizando lados positivos e negativos dos nativos desta terra. Em seguida, relembrou o escritor Ariano Suassuna, na singela frase: “A razão manda que a gente fique em casa, e o sonho é que leva a gente para a frente”.

A estratégia de desenvolvimento do País, na avaliação do ex-ministro, passa pelo desenvolvimento do capital humano. “Estamos falando de qualificação e não apenas de educação formal na escola”, frisou. “Ou transformamos a educação, ou a população menos qualificada sofrerá grande abalo”, previu.

A partir daí, será possível o passo seguinte: a maior inserção do Brasil na economia internacional, com grande expansão das exportações e das importações. “O País nunca sairá da armadilha da renda média, e de baixo crescimento, enquanto mantiver a atitude de baixa inserção internacional”, advertiu. Nesse sentido, de acordo com Velloso, cabe ao Brasil aproveitar oportunidades em setores como tecnologia, recursos naturais e desenvolvimento ambiental, por meio de um “PIB verde”.

No curto prazo, o País precisa de um ajuste fiscal, principalmente à base de contenção de despesas e não do aumento de impostos. Na avaliação do ex-ministro, na atual economia do conhecimento, dois fatores são fundamentais: gente e conhecimento. “O conhecimento é um paraíso”, afirmou. E citou o modelo escandinavo, lembrando que os países nórdicos eram pobres há 100 anos, e hoje exportam aviões, carros de luxo e equipamentos de telecomunicações. “E agora estão se transformando em supermodelos, ao tornarem o estado algo muito mais eficiente”.

“O objetivo final da estratégia é, primeiramente, levar o Brasil para o alto crescimento, com taxas de 5% a 6% ao ano e, a longo prazo, torná-lo uma nação desenvolvida em duas ou três décadas”, finalizou.

BNDES vê cenário desafiador para a retomada do crescimento

Wagner BittencourtO vice-presidente do BNDES, Wagner Bittencourt, classificou como “bastante desafiadores” os cenários para a retomada do crescimento brasileiro em curto, médio e longos prazos.

Bittencourt representou o presidente do banco, Luciano Coutinho, na abertura do XXVII

Fórum Nacional, nesta segunda-feira 11, no Rio de Janeiro.

“O Brasil é um país sólido se olharmos seus indicadores, como a dívida externa, mesmo com o resultado primário negativo e a perspectiva de crescimento de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) e as reservas estimadas em R$ 376 bilhões”, disse Wagner Bittencourt, apontando ainda a expectativa de inflação próxima a 6% a partir de 2016 e a melhoria na qualidade de vida de todas as classes sociais.

Bittencourt espera ainda que os investimentos em infraestrutura e logística cresçam pelo menos 35%, a R$ 597 bilhões, entre 2015 e 2016.

“Este crescimento já é sentido em segmentos que aumentam a competitividade, com geração de empregos. Existe um ciclo de crescimento da logística, bem como da energia, que deverá demandar R$192 bilhões em investimentos na geração de energia nova”, acredita Bittencourt.

Em sua opinião, a matriz hídrica será mantida, mas também novas fontes de energia, como solar e eólica, terão maiores investimentos correspondente a 0,4% do PIB, entre 2015 e 2018. A perspectiva para o setor de petróleo, no entanto, para Bittencourt, é de redução nos investimentos, em consequência dos problemas enfrentados pela Petrobras.

Wagner Bittencourt acredita que o BNDES continuará a ser o maior fornecedor de fundos de investimento do País, mas espera que essa participação se reduza aos longos dos anos, com maior participação do capital privado em novas linhas de financiamento. E vê nas concessões de serviços públicos, como as rodovias, como principal alvo de investimentos privados, com respostas mais rápidas à população.