Análise

A atual crise econômica, suas consequências, desafios e possíveis soluções serão o cerne das discussões do XXIX Fórum Nacional, que acontecerá nos próximos dias 18 e 19 de maio, no Rio de Janeiro. (www.inae.org.br).

― A maior recessão da história brasileira requer soluções fora do convencional nos campos do ajuste fiscal e da reorganização da infraestrutura. A contração do PIB em 7,2% em apenas dois anos levou ao desastre fiscal e à explosão da incerteza. Ela que é exatamente a maior inimiga da expansão dos investimentos privados e do próprio consumo das famílias, ou seja, da própria solução do problema recessivo ― explica o economista Raul Velloso, que preside o encontro.

Segundo ele, a recessão inviabilizou, particularmente, o programa de investimentos em que se inserem importantes projetos de concessões de infraestrutura, como os de grandes rodovias. Além disso, diz Velloso, com os indicadores de produtividade estagnados há vários anos, a queda de 23% no investimento jogou para baixo as perspectivas de crescimento de médio e longo prazo do País, o que tornaria ainda mais urgente a necessidade de investimentos em setores como o de infraestrutura, o que possibilitaria o crescimento da produtividade.

Em dois dias de debate, temas como Visões sobre o Futuro do Brasil, Crise Financeira Estadual, Consistência Macroeconômica e Crise da Infraestrutura serão discutidos por nomes de destaque do cenário político nacional, como Marcos Cintra (presidente do FINEP) e Afif Domingos (diretor-presidente do SEBRAE), que discutirão os rumos do país do ponto de vista de suas áreas de atuação (tecnologia e pequena empresa). O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, presidirá o painel sobre a crise dos Estados, na presença dos governadores do Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina, Alagoas e Distrito Federal. O Ministro Bruno Dantas, do TCU, acompanhado do Secretário Adalberto Vasconcelos, do Programa de Parceira de Investimentos, coordenará o debate dos temas relacionados com a infraestrutura brasileira.

O tema Previdência também deverá ter destaque por meio do depoimento de Marcelo Caetano, secretário da Previdência do Ministério da Fazenda. O Senador Ricardo Ferraço, que acaba de assumir a condução do processo de votação da Reforma Trabalhista no Senado Federal também estará presente no evento.

― As reformas estruturais são obviamente prioritárias e deveriam merecer toda a atenção da classe política, mas questões relevantes como essas não podem ficar de fora do debate nacional e da busca de soluções cada vez mais urgentes para problemas cruciais do País ― finaliza Velloso.

Raul Velloso é economista e especialista em contas públicas
raul_velloso@uol.com.br