Análise

Para evitar o pior

A divulgação dos 3,6% negativos do PIB do ano passado trouxe à tona os difíceis ajustes que segmentos importantes, mas despreparados para essa dificílima tarefa, têm de fazer. Somando os dois últimos anos, trata-se de uma queda acumulada de perto de 8%, a pior recessão para dois anos registrada em nossas estatísticas. Destaco os casos das concessões rodoviárias aprovadas em 2013 e o das finanças estaduais. Em ambos, pode haver problemas de natureza estrutural por resolver, mas diante do que será detalhado a seguir, não dá para ter uma atitude meramente contemplativa dos… ... continue lendo →

Opção pelo baixo crescimento

Enquanto o IBGE anunciava a queda de 3,6% no PIB de 2016, somando-se aos -3,8%, registrados em 2015, o governo lançava mais um suposto plano de expansão da infraestrutura, com gosto de café requentado e sem efeitos rápidos previsíveis para estimular nossa combalida economia. O próprio ministro da agricultura declarou que a safra recorde deste ano está indo para o ralo, pela dramática situação da BR-163, na região amazônica, que impede um escoamento adequado rumo ao norte do país, com prejuízos estimados em R$ 350 milhões. Na liderança do processo de queda do… ... continue lendo →

A Dutra não aguenta mais esperar

Com o setor público em virtual colapso financeiro, somente as concessões privadas poderão salvar a combalida infraestrutura nacional do desastre, ainda que haja enorme resistência de certos segmentos à sua consolidação no país. Vivemos isso na recente gestão petista federal, em administrações estaduais, e por último, de forma surpreendente, na ação de órgãos fiscalizadores, como o TCU, embalados pela força da nova notoriedade obtida nas recentes iniciativas anticorrupção. Na contramão da literatura econômica e de como o mundo opera, há no Brasil a visão equivocada de que as concessões são instrumentos de captura… ... continue lendo →

Avanço insuficiente

O “x” de tudo é a questão previdenciária. O déficit previdenciário da União, estados e municípios é gigantesco. A exata noção desse problema só aparece quando se somam os déficits futuros, digamos nos próximos 70 anos, e se chega aos números absurdos do chamado “passivo atuarial”, um número calculado oficialmente e divulgado todos os anos, que equivale a muitas vezes a receita anual de cada ente, mas cuja existência a maioria parece ignorar. Não adianta mais insistir que isso se deve a administrações irresponsáveis (obviamente as passadas, pois as atuais mal começaram...), como… ... continue lendo →

Dois coelhos de uma pancada só

O ano se inicia sem solução para os Estados com elevados buracos financeiros, como no caso do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde os atrasos de pagamento a fornecedores e, mais recentemente, a servidores (inclusive aposentados), estão virando rotina e se agigantando. O perigo é a decretada “calamidade financeira” atingir proporções de uma crise social aguda. (Recorde-se a de Alagoas no governo FHC, quando uma greve de policiais levou à intervenção branca no Estado). Inexistem passeatas ou apedrejamento de prédios na área federal. A União só evitou uma… ... continue lendo →

Natal e Ano Novo de penúria nos Estados

“Na competente entrevista de Martha Beck com o ministro da Fazenda, revelam-se os equívocos presentes no enfrentamento da crise estadual. São duas questões distintas, algo que o governo parece ignorar: uma emergencial, outra estrutural. Na primeira, diante de buracos financeiros gigantescos causados por qualquer que seja o motivo, e de caixas vazios que os atuais governadores herdaram dos anteriores, não há como tapá-los sem ajuda federal, pois os Estados não podem se endividar nem emitem moeda. Dada a rigidez do gasto no curto prazo, só resta recorrer a atrasos sistemáticos e crescentes de… ... continue lendo →

O Supremo terá de assumir

As causas básicas estão explicadas em detalhes em artigo no meu blog e em inae.org.br, mas a crise estadual, diante da inoperância do governo federal, atinge proporções de calamidade, sobre a qual o País deveria se debruçar. Essa situação já foi decretada por Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas. Outros Estados e Municípios virão atrás. A essência do problema é simples. Diante de sub-orçamentos cativos (isto é, com fatias fixas e comando descentralizado -- os verdadeiros “donos do orçamento”), que totalizam 60% das receitas convencionais, sem bancar os próprios aposentados,… ... continue lendo →

Explosão de barris à vista

O acirramento da crise política diminuiu fortemente as chances de o governo aprovar a reforma da previdência que acaba de enviar ao Congresso. E como a PEC do Teto, segundo vendem seus próprios defensores, só dará certo com a ajuda dessa reforma, a situação começa a se complicar. Para piorar, o PIB não quer crescer. Em vez de perguntar se a estratégia de Meirelles para a União é a melhor possível, há dois erros fatais que ainda podem ser corrigidos. Um é o tratamento que se vem dando à crise estadual. O outro… ... continue lendo →

Insensibilidade ao caos

Estados vão aos poucos caindo no precipício do desarranjo fiscal  Tem nada a ver com a tragédia chapecoense, mas a menos de raras exceções os Estados brasileiros vão aos poucos caindo no precipício do desarranjo fiscal generalizado. Primeiro foi o Rio de Janeiro, há pouco o Rio Grande do Sul, e em breve cairá Minas Gerais. No mais, temos casos como os do Rio Grande do Norte, no Nordeste, onde o governador não consegue mais ir à farmácia, e no Centro-Oeste, onde Brasília, Goiás e Mato Grosso se credenciam para jogar a toalha.… ... continue lendo →

Concessões são melhor saída para destravar obras de infraestrutura no país

Num cenário de corte de gastos públicos no governo federal e de grave crise financeira nos estados, a única opção do país para retomar os investimentos em obras de infraestrutura são as parcerias público-privadas, afirma o economista Raul Velloso, especialista em infraestrutura. Para levar adiante as concessões de rodovias, o Brasil, e o Paraná especificamente, precisa acabar com o viés anti-mercado. Velloso cita o exemplo da redução das tarifas dos pedágios no Paraná. “O sujeito acha que reduzir tarifa não vai ter impacto na qualidade do serviço. Isso é um mito”. Velloso estará… ... continue lendo →

Ao Rio, os leões

Acossado por um déficit orçamentário inédito, e com apoio apenas simbólico do governo Temer, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, numa ousada operação solo, fez uma arriscada mexida no tabuleiro do xadrez político-administrativo do seu Estado. Sem a companhia dos demais estados enroscados na mesma teia de déficits expressivos (no ano que vem serão quase todos), encaminhou à Assembleia um bem concebido, mas polêmico pacote de medidas de ajuste, voltado para levantar pelo menos 70% das necessidades de fechamento das contas do Estado de 2016. O acerto do restante do… ... continue lendo →

Estender as concessões é a saída

Depois de muita esperança de que a recessão estivesse nos deixando, sinais mais recentes mostram o contrário. Depois de aumentar em vários trimestres, a razão entre o gasto corrente agregado e o PIB aparentemente está estagnada. Já o investimento vem caindo há bastante tempo, como se pode ver no gráfico que publicarei na versão ampliada deste artigo em raulvelloso.com.br e inae.org.br, a partir de amanhã. Na comparação com o trimestre anterior, ele vem caindo mais que o PIB, desde o final de 2013, sem sinais de reversão desse processo. O grau de utilização… ... continue lendo →