Arquivo mensal: maio 2014

Humanismo para combater os preconceitos

O encerramento do XXVI Fórum Nacional se deu com a palestra do professor e cientista político Vamireh Chacon, dissertando sobre o estudo humanístico no Brasil. O estudioso definiu o humanismo como a crítica e o cultivo das características do gênero e espécie humanos enquanto valores. “Ele pode e deve ser adjetivado em escala cada vez mais completa na contínua busca da simultânea perfeição intelectual e moral”, pontuou. Chacon relembrou a história do humanismo, desde seu florescimento na cultura greco-romana, passando pela Idade Média na Europa e o posterior Renascimento das artes (e do… ... continue lendo →

Não se pode justificar desvios éticos em nome de causas

Que lições nos dão as experiências do renascimento e do humanismo para o Brasil do século XXI? O que podemos aprender com isso? A essas questões, o professor titular da UFRJ e emérito da UniRio, Arno Wehling, lembra de antemão que lições pressupõem temas e problemas, para que as experiências façam algum sentido. Wehling argumenta ainda com a possibilidade de haver algum consenso de que os problemas brasileiros giram em torno a algumas questões capitais: crescimento econômico, inclusão social, qualificação cultural e valores democráticos. “Desde logo uma preliminar poderia ser a de que… ... continue lendo →

O Renascimento e as diferentes humanidades

O diretor-técnico do Fórum Nacional, Roberto Cavalcanti de Albuquerque, expôs em sua palestra na sessão de encerramento do XXVI Fórum Nacional a história do Renascimento e do Humanismo na Itália e sua expansão pela Europa e pelo mundo. “A capacidade de mais diálogo ao longo do tempo tornou o espírito capaz de absorver uma ampla e rica humanitas”, afirmou. Em sua avaliação, foi o Renascimento que fundou o mundo moderno, ao constituir uma nova filosofia, o Humanismo. O estudioso explicou como se deu a expansão dessa filosofia para o Novo Mundo. “Portugal, com… ... continue lendo →

A hora do Renascimento do diálogo

O acadêmico Marco Lucchesi, da Academia Brasileira de Letras (ABL), começou sua palestra perguntando-se qual Renascimento deveria abordar diante do tema “A Civilização da Renascença, Primavera do Humanismo Moderno – Lições para o Brasil de Amanhã”. E chegou a uma conclusão: “Pelo que assisti neste Fórum pela manhã, vejo que podemos seguramente falar de um renascimento da sociedade nos dias de hoje no Brasil”, afirmou. O acadêmico se referia aos debates sobre a inclusão das favelas na cidade, que tomou a manhã do último dia do XXVI Fórum Nacional. Para Lucchesi, o Renascimento… ... continue lendo →

Valores cada vez mais distorcidos

Urbano Zilles, doutor pela Universidade de Münster (Alemanha), professor titular de Filosofia na PUC-RS e membro da Academia Brasileira de Filosofia, elabora uma crítica ainda mais ácida frente ao modelo político contemporâneo, ao afirmar que no humanismo renascentista o cultivo do homem está no centro das preocupações. Zilles não pode comparecer ao Fórum Nacional por questões pessoais de última hora. No estudo encaminhado ao evento, no entanto, ele destila inteligência aliada a críticas elegantes e fundamentais. “Em nossa sociedade parece não existir tal preocupação, pois as árvores, os cães e gatos são muito… ... continue lendo →

Prioridade para o saneamento e não para teleféricos

Os representantes das favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro também tiveram uma efetiva participação no terceiro painel, no último dia do Fórum Nacional. Alzira Amaral, dos morros Pavão-Pavãozinho, chamou a atenção para o fato de que as favelas continuam fora dos orçamentos formais estaduais e municipais. “O governo quer fazer com que a nossa favela vire um bairro e nós queremos que a favela seja a cidade, reintegrada ao orçamento e à vida da cidade”, argumentou. Alzira defendeu também a implantação do projeto de agentes ecológicos, para substituir os garis comunitários,… ... continue lendo →

Jacarezinho aposta em projetos de marcenaria

Na sequência dos debates dentro do tema “Favela é Cidade”, o líder comunitário Almir Gama, do Complexo do Jacarezinho, citou como bom exemplo de projeto social na comunidade a Cooperativa de Marcenaria. “Temos profissionais com mais de 20 anos de experiência que retomaram seus trabalhos, com resultados muito positivos”, disse, convocando a juventude a se engajar no projeto. “Há espaço para os jovens, seja como aprendizes, seja como profissionais”, afirmou. O trabalho com sobras e resíduos da própria marcenaria também foi citado por Gama, como um projeto em fase de construção. “É um… ... continue lendo →

Cantagalo vê melhorias a partir do PAC, mas exige mais cultura

O líder comunitário Luiz Bezerra do Nascimento comentou que o Cantagalo tem mais de 100 anos de existência, e por isso foi uma das primeiras a receber projetos governamentais. “Conhecemos as ideias de urbanização há muito tempo, mas agora percebemos melhorias vindas a partir do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC)”, disse. “A parte social ainda está mais atrasada”, acrescentou. Dividindo a apresentação no último dia de debates do Fórum Nacional, Sidney Tartaruga, também do Cantagalo, lamentou a repressão policial em sua comunidade. “Sou professor de capoeira e estou impossibilitado de dar aulas,… ... continue lendo →

Borel critica burocracia para financiamentos

Como a favela está inserida no contexto da cidade? Essa foi a questão que levou a líder comunitária Sara Graziela, do Morro do Borel, ao XXVI Fórum Nacional. “Infelizmente nossas políticas públicas ainda são voltadas para reforçar as desigualdades”, lamentou Sara. Ela criticou os mais de R$ 100 milhões facilmente liberados para a ampliação da malha hoteleira carioca por ocasião da Copa do Mundo, enquanto as comunidades enfrentam dificuldades imensas para conseguir financiamentos por vezes inferiores a R$ 1 milhão. “A burocracia é enorme para projetos estruturantes das favelas”, disse Sara. “Sofremos demais… ... continue lendo →

Favelas ousadas, destemidas e dispostas a discutir o Brasil

Os representantes das principais favelas em processo de pacificação do Rio de Janeiro participaram e discutiram, durante o painel III, no último dia XXVI Fórum Nacional, as principais questões que, apesar dos avanços de propostas para levar dignidade e cidadania a essas comunidades, ainda impedem a real integração dessa importante fatia da população carioca à cidade formal. A representante da Cidade de Deus, Cleonice Dias, foi enfática em garantir que a mobilização nestas comunidades é um fato incontestável. “Nós somos ousados, nós somos destemidos, nós somos atrevidos, nós transitamos em toda a cidade.… ... continue lendo →

BNDES reafirma parceria na integração favela-cidade

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social se sente como parceiro e entusiasta da integração favela-cidade. Esta foi a síntese da palestra de Guilherme Lacerda, diretor das áreas de Infraestrutura Social, Meio Ambiente e Agropecuária e de Inclusão Social do BNDES, no XXVI Fórum Nacional. Ele lembrou que há um ano reuniu-se com lideranças das comunidades e ouviu suas reivindicações. “É certo que avançamos desde então”, afirmou. Agora estamos discutindo projetos de inclusão produtiva em quatro comunidades. “São projetos complexos e demorados, mas a parte que cabe ao BNDES, que é estruturar… ... continue lendo →

Projetos já têm frutos maduros nas favelas

A urbanista e representante da Empresa de Obras Públicas (EMOP), Ruth Jurberg, e a presidente do Instituto Pereira Passos, Eduarda La Rocque, apresentaram, no último dia de debates do XXVI Fórum Nacional, um balanço positivo dos avanços sociais obtidos junto às principais comunidades pacificadas do Rio de Janeiro, principalmente nas favelas da Rocinha, Complexo do Alemão, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. “Passamos décadas com a sensação de ausência do poder público nas comunidades e dos próprios moradores”, lembrou Ruth Jurberg, ao falar da parceria iniciada em 2007 entre os governos do estado e federal, com… ... continue lendo →